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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Hemeroteca Brasileira


Semana passada foi lançada pela Biblioteca Nacional o site da Hemeroteca Digital Brasileira, mais uma iniciativa de acesso às informações preservadas nos armazéns da Rio Branco, 219.

A Hemeroteca (http://hemerotecadigital.bn.br/) permite a consulta a um bom número de jornais não correntes e que foram digitalizados, permitindo inclusive a consulta por palavra-chave.


Como fonte de pesquisa, a iniciativa tem tudo para dar certo, uma vez que não será mais necessário o deslocamento até o Centro do Rio para a pesquisa - os pesquisadores de outros estados agradecem!

Uma dica quando buscar por palavras-chave é checar a ortografia adotada na época, pois até onde testei o programa não faz essa correção automaticamente, logo, quando buscamos por Biblioteca, dependendo do período teremos que usar o "TH".


Em meio a crise que rondou a Biblioteca Nacional nos últimos meses por conta dos danos ao acervo causado por sucessivos sinistros, a Hemeroteca Digital têm potencial para se tornar um dos mais importantes instrumentos de pesquisa no Brasil, ainda mais por ter o seu acesso livre e irrestrito.

Segundo a sua descrição, "Na HEMEROTECA DIGITAL BRASILEIRA pesquisadores de qualquer parte do mundo passam a ter acesso, inteiramente livre e sem qualquer ônus, a títulos que incluem desde os primeiros jornais criados no país – como o Correio Braziliense e a Gazeta do Rio de Janeiro, ambos fundados em 1808 – a jornais extintos no século XX, como o Diário Carioca e Correio da Manhã, ou que não circulam mais na forma impressa, caso do Jornal do Brasil".

Creio que é um instrumento de pesquisa que vale ser visitado, ainda mais pela curiosidade que desperta, sobretudo no aprendizado em lidar com as ferramentas - que convenhamos, são bem inteligíveis e permitem uma busca rápida e fácil.

Visitem: http://hemerotecadigital.bn.br/ e http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O verdadeiro poder das bibliotecas


Revista Piauí, n. 65, fev. 2012 – seção Esquina p. 8-9.

Livros brotam no sertão
Na Bahia, o povoado com a maior taxa de exemplares por habitante do Brasil
por Rodrigo Sombra

O povoado de São José do Paiaiá, no sertão baiano, tem 500 moradores, igreja, escola, praça e duas ruas. “Na de cima, mora a elite; na de baixo, a classe trabalhadora”, descreveu o historiador Geraldo Moreira Prado, 71 anos, o filho mais ilustre e ilustrado da terra. De cada dez habitantes de Paiaiá, três são analfabetos. Metade da população vive na pobreza, com renda de pouco mais de 200 reais por família a cada mês. Quatro famílias formam a elite local.

Numa região de casas geminadas, ruas de pedra e terra, poucos empregos e quase nenhum saneamento, a soberba taxa de 200 livros por habitante – a média nacional não chega a cinco – é a obra local mais frondosa, graças à Biblioteca Comunitária Maria das Neves Prado. Está sediada em um rudemente majestoso prédio de três andares, o único daquela área da caatinga. Já foi apelidado de “Empire State of Paiaiá”, reunindo os quase 100 mil livros, segundo a contagem oficial, da autodeclarada “maior biblioteca rural do mundo”.

Geraldo Moreira Prado alfabetizou-se aos 10 anos, tendo livros de cordel como cartilha. Pisou pela primeira vez numa biblioteca aos 14. Aos 21, mudou-se para São Paulo. Foi a princípio para trabalhar, mas acabou cursando história e depois letras na USP. Militou no movimento estudantil, no qual se especializou na fabricação de coquetéis molotov para serem lançados contra os agentes da ditadura durante os protestos de 1968. Amargou quatro detenções por perturbação da ordem e propagação de ideias comunistas. Mudou-se para o Rio, onde se doutorou em desenvolvimento agrário, virou professor universitário e pesquisador.

Casou-se. E depois se descasou, momento em que viu a necessidade de se desfazer de uma coleção de então 30 mil livros. Tentou vendê-la, mas sebo nenhum quis lhe pagar a contento. Pensou em doá-la para uma universidade pública, mas as tratativas não caminharam bem. Lembrou-se da querida terra natal, São José do Paiaiá, um povoado do município de Nova Soure, a 250 quilômetros de Salvador.

Contatou um sobrinho adolescente morador de Paiaiá, alugou uma casa e despachou a primeira leva de 10 mil livros, transportados num caminhão. Passava das quatro e meia da manhã quando José Arivaldo Prado – o sobrinho de Geraldo, conhecido como Vadinho – deixou o forno da padaria onde trabalhava para assistir ao desembarque dos livros. Juntou gente para acompanhar a novidade. As primeiras centenas de volumes foram abrigadas na garagem da casa alugada.

O sucesso da operação estimulou um segundo lote de livros, algo perto dos 12 mil exemplares. Mas a vizinhança fora alertada pelo Jornal Nacional sobre um furto de obras raras ocorrido em 2003 na Biblioteca do Itamaraty, na região central do Rio de Janeiro, a mais de 1 700 quilômetros dali. Quando uma senhora assistiu à chegada de mais livros – itens raros no sertão –, tratou de denunciar à polícia, convicta de que se tratava das obras furtadas do Itamaraty que vira na televisão.

Desfeito o equívoco, a recém-transferida biblioteca teve de enfrentar o pároco local, ouriçado pela procura de obras como Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado. Abriu o sermão numa manhã de domingo advertindo os fiéis sobre a maledicência dispersa nas estantes de aço pecaminosas da casa vizinha à paróquia. Apesar das resistências religiosas e policiais, os demais livros foram enviados pouco a pouco. A biblioteca comunitária ganhou vida e foi batizada com o nome de uma tia do historiador que se dedicara a lecionar no povoado, professora de formação autodidata que era.

A biblioteca cobra 1,50 real de mensalidade, com direito a carteira de leitor associado. As doações foram aumentando e houve necessidade de mais espaço, o que obrigou a construção do “Empire State”. Vadinho, o bibliotecário improvisado, crescido entre tantos livros, abandonou a padaria, cursou letras e descobriu-se poeta. “Escrevo poemas, mas só sobre gatos”, disse.

Cajueirinho, Carrapatinho, Pau de Colher, Cabeleiro e Melancia são povoados vizinhos que mandam alunos para a escolinha de xadrez, para o ateliê de pintura ou para cursos como “Higienização e acondicionamento do acervo Professor Geraldo Prado”, oferecido em dois módulos.

A organização das estantes às vezes surpreende. A Divina Comédia divide prateleira com aMetodologia Aplicada à Administração. Elogio da Sombra, de Jorge Luis Borges, é vizinho deInternet Truques Espertos: Segredos Inteligentes Revelados. A biblioteca possui alguns volumes raros, como a primeira edição de Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, de 1933, e as obras completas de Molière, com data de impressão de 1732.

Sem apoio da prefeitura de Nova Soure, dependente dos inconstantes repasses do programa do Ministério da Cultura, a biblioteca é deficitária e recebe colaborações de bom grado.

No ano passado, o crítico literário Antonio Candido, ex-professor de Geraldo Prado na USP, doou títulos de seu acervo pessoal para os moradores de Paiaiá. Acompanhava o envio dos livros uma carta de saudação, emoldurada e colocada em destaque no interior da biblioteca. “Venho por meio desta comunicar-lhe que despachei dez caixas contendo livros e alguns opúsculos, no total de 300 unidades, que constituem uma doação à Biblioteca Comunitária”, datilografou o crítico, em um papel azul, devidamente corrigido à caneta e assinado.

“Informado há tempos a respeito dela por nossa amiga Walnice Nogueira Galvão (que aliás teve a gentileza de me acompanhar à empresa transportadora), avaliei desde logo o alcance e a importância dessa obra cultural, devida à sua iniciativa generosa e clarividente; e tencionei colaborar de algum modo, o que faço agora com prazer e é a oportunidade de manifestar a minha admiração pelo seu trabalho.”

Outra frase atribuída a Antonio Candido já havia sido estampada na fachada da biblioteca. Em azul, lia-se: “O socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo.” “Eu ia até botar uma do Marx, mas aí achei que já era dar muita bandeira”, acautelou-se Geraldo Prado. Na última reforma da biblioteca, um pintor conhecido como Magnata fez pouco caso da encomenda – repintar o que ali já estava e adicionar uma proverbial citação de Che Guevara. Pediu um adiantamento pela primeira demão de tinta, embolsou o dinheiro e sem aviso prévio comprou um bilhete só de ida para São Paulo, deixando a fachada da Biblioteca Maria das Neves branca como lhe sugere o nome.

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Conheço o professor Geraldo desde criança, considero-o o meu pai intelectual, sendo assim, conheço também boa parte da história da biblioteca, inclusive por ter encaixotado boa parte desses itens.

Numa conversa com o professor ele me disse que além dos fatos mencionados na reportagem, a biblioteca fez o comércio local se desenvolver, com o surgimento de lanchonetes para alimentar aqueles que tem fome de leitura... A cidade vem se tornando um pólo de cultura no interior baiano e pessoas, até mesmo de Salvador (que na posição de capital, espera-se que tenha acervos mais completos), vão à biblioteca em busca de itens que possam satisfazer suas necessidades.


Sendo assim, aí reside o verdadeiro poder das bibliotecas, de causar mudanças, de criar e modificar espaços, enfim, de modificar estruturas, sejam elas quais forem...


Fico honrado de poder ter visto o nascimento da biblioteca e estar acompanhando a sua evolução. Ah, professor, não esqueci que tô devendo uma visita não, hein.

PS: para saber mais sobre a história do professor Geraldo visite a Biblioo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Bibliotecas e cemitérios

Estranho o título do post, não???

Por que afinal resolvi fazer um post com esse título? Bom, tenho feito muitas leituras, principalmente em função da dissertação. Hoje, estava lendo o livro "O poder das Bibliotecas" e me deparei com a informação de que algumas bibliotecas, até o advento bibliográfico do século XVII, organizavam suas coleções de acordo com os  antigos proprietários desta, mantendo sua integridade bibliográfica (no sentido amplo e não restrito apenas a livros). Fiquei mais interessando ainda pelo texto quando achei a citação de uma lei chamada de "Lei da boa vizinhança", somente citada por um autor, que não me recordo qual. De imediato lembrei-me de algumas brincadeiras que fazia em conjunto com outros estagiários quando trabalhávamos na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, onde as coleções são ordenadas de acordo com a sua origem, ou como chamam os arquivistas, procedência. Assim, a Coleção do Lima Barreto, reúne a documentação que pertenceu ao escritor, bem como a de Martins Pena, Gustavo Corção etc.

Porém, sempre fazíamos uma ressalva, que algumas coleções não podiam ficar ao lado de outras, pois tais personalidades eram desafetos na vida pública, claro que falávamos em tom jocoso, até mesmo pelas localização dos itens já estarem consagradas há décadas. Enfim, mesmo que não no mesmo sentido utilizado no texto, buscávamos fazer valer a "Lei da boa vizinhança".

Voltando à situação dos acervos serem organizados de acordo com a sua procedência, o mesmo texto menciona que a partir do advento Bibliográfico, a classificação foi largamente implementada e tal organização caiu em desuso.

Por incrível que pareça, a representação que me veio a mente foi a de um cemitério, sobretudo, ao lembrar-me de uma igreja na República Tcheca, que tem sua decoração feita a partir de osso humanos. A Igreja da cidade de Kutná Hora (http://www.kostnice.cz/).


A história diz que durante umas das muitas pestes e guerras enfrentadas pela Europa, não havia mais locais no cemitério para enterrar mais corpos, então os que já estavam lá há anos ou séculos foram exumados e guardados na igreja que fica ao centro do cemitério. Alguns anos depois a decoração de toda a igreja, incluindo o mobiliário foi feita com os ossos dos exumados.

Tá, mas o que isso tem a ver com livros? Bom, vamos viajar um pouco: as coleções, quando ordenadas de acordo com a ordem dada por seu antigo custodiador constitui-se no seu corpo, numa analogia com os cemitério. Com o advento das Bibliografias, várias dessas coleções foram desmembradas, bem como os ossos das igrejas e reordenadas sob novos critérios, bem como, de novo, os ossos... Assim, novas configurações foram dadas aos itens colecionados, sejam por Igrejas, Cemitérios ou Bibliotecas.

Considerei legal compartilhar com vocês essa viagem sóbria, já que como defensor da totalidade das coleções (porém, não cego, pois sei das dificuldades que permanecer a íntegra das coleções acarreta, entretanto, não entrarei no mérito). Creio que daí evoluem os estudos sobre biblioteca, informação, arquivos, acervos, museus, das viagens com os pés no chão que realizamos. E uma curiosidade é que os cemitérios são ótimos locais para se começarem as pesquisas...

PS: Nenhuma droga, bebida ou derivados foi utilizada durante a leitura ou construção do texto.
PS 2: o texto pode ter certas incoerências pois o cansaço aflige a mente do ser que vos escreve.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Causos de Biblioteca

Bom, pra descontrair um pouquinho vou contar um causo que aconteceu comigo quando era estagiário:

Certo dia, um senhor por ironia, ou não, português, chegou à biblioteca na qual eu estagiava e pediu para consultar uma lista com cerca de 1000 documentos, nada além disso... Ainda perguntei se ele desejava filtrar a pesquisa, mas ele disse que já havia feito isso... Expliquei para ele que o máximo permitido por dia eram de 15 documentos.

Ele argumentou que queria ver os mais de 1000 documentos (O.O) naquela tarde porque viajaria no dia seguinte... Repito, cerca de 1000 - Mil - M - documentos! Tendo em vista esse fato, esclareci que a chefe estava em horário de almoço, mas que quando ela voltasse poderia autorizá-lo a consultar mais documentos além dos 15 permitidos para o dia. Porém, por hora, era pra ele pedir os 15 para e ir consultando até a chefe chegar.

Ele insistiu e disse que queria ver os 1000... Novamente, com toda a minha paciência, expliquei que ele poderia, naquele momento, consultar até 15 e que quando a chefe chegasse, algo que já estava para acontecer, ele poderia solicitar à ela a consulta aos outros.

Novamente ele insiste que quer ver os 1000 documentos e que precisava ver naquela tarde porque iria viajar no dia seguinte... Eu, com a minha paciência já no limite, afinal, eu estava falando português e ele também, expliquei o procedimento novamente...

E ele, já se exaltando me pede para ver todos os documentos... Nesse momento, com toda a minha educação e respeito, peguei o meu crachá, mostrei ao senhor e falei: "O senhor consegue ler aqui? Aqui diz 'estagiário', logo não posso fazer muito além do que já fiz pelo senhor...". No que ele responde: "Ah sim, mas será que enquanto a chefe não chega eu poderia ir consultando alguns documentos?...". PQP!!!! FUUUUUUUUUUUUUU ¬¬


É amigos, realizar o serviço de referência numa biblioteca não é uma tarefa simples, devemos nos fazer entendíveis e, sobretudo, entender o que desejam. Afinal, nossa função é guiar os usuários em busca da informação que desejam, mas que as vezes dá vontade de matar um, isso dá...

Em outra ocasião, um usuário (desta vez jovem, com seus vinte e poucos) foi consultar sobre Censos realizados pelo império, instrui-o a como consultar a base de dados e tal, no que vejo ele pesquisando por Senso. Querendo ajudá-lo fui questionar se ele desejava Censos demográficos etc, que são com 'C', ele me respondeu que sabia o que queria e que não precisava de auxílio. Diante de tal resposta baixei minhas orelhas e recolhi-me à minha insignificância, afinal, ele "sabia o que queria"... Nesse caso, faltou ao usuário a humildade de aceitar uma ajuda ou uma dica, fazer o que? Infelizmente, ele foi embora sem achar o que desejava... Mas...

Cabe ressaltar que citei dois casos onde os usuários não sabiam muito bem o que desejavam, porém, é bom lembrar, que nós, bibliotecários e profissionais da informação, também cometemos nossos erros e não podemos nos colocar nunca numa situação de intelecto superior, afinal, ter humildade e saber reconhecer suas limitações faz parte das negociações entre os profissionais da informação e os usuários...

O Grogan em seu livro "A Prática do Serviço de Referência" faz boas considerações sobre tais situações, é um bom livro, mas deve ser lido com uma visão crítica para evitarmos ufanismos...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Biblioteca

No sábado, dia 07, saiu uma matéria bem legal sobre a Biblioteca Pública de Niterói no jornal O Globo, vejam:

Biblioteca Pública de Niterói se firma como local de lazer

Pra ilustrar, fotos da faixada e do interior da Biblioteca:





quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Bibliotecas ou depósitos?

Volta e meia nos deparamos com notícias desoladoras sobre acervos achados em meio à escombros, livros raros jogados fora ou destruídos pelo descaso etc.

Ao que parece nós, brasileiros, não ligamos muito para as bibliotecas e à elas atribuímos pouco valor.

Ontem fiquei sabendo, por meio de conversas informais, que a Biblioteca Luiz Viana Filho ou apenas, Biblioteca do Senado terá a sua atual sede no Anexo II do Senado, em Brasília, mudada para um galpão num ponto mais distante - a transferência só não foi confirmada ainda porque um senador pediu vistas ao processo de transferência, creio que por considerar a situação absurda...

A biblioteca do Senado é uma das mais antigas e importantes do país, sua missão é se tornar referência mundial na Biblioteconomia Legislativa e dar suporte às necessidades informacionais dos nossos legisladores. Sua fundação se deu em 1826 e desde então viu sua coleção ser enriquecida por várias doações e aquisição de obras raras e importantes para a memória nacional, após a inauguração de Brasília, deixa para trás o Palácio Monroe no Rio, e vai o Palácio do Congresso, até chegar ao Anexo II.


Ao tirar a biblioteca do Anexo II, a direção já tem ciência de que o cidadão que não trabalha no senado não poderá mais ter acesso às obras que compõem o seu acervo, ou seja, tal fato acarretará que a missão principal da biblioteca, que é de disseminar a informação à todos, não será mais cumprida, ficando seu rico e vasto acervo restrito aos funcionários do Senado e nossos legisladores...

A questão aí, parece ser maior do que realmente parece e tem relação direta com o universo Biblioteconômico, afinal, é responsabilidade de nós, bibliotecários, zelarmos pelas bibliotecas. Porém, o cenário que vemos é seguinte - claro que com algumas exceções.

O Bibliotecário é aquele profissional estigmatizado pelo óculos, roupa fora da moda, cabelo desgrenhado, solteiro, dono de um bicho (geralmente um gato), que adora livros e... Do sexo feminino. Creio que poucos de nós se encaixaram nesse perfil (eu tenho o gato e sou solteiro... M-E-D-O), mas é assim que a sociedade vê os bibliotecários e mais, as bibliotecas são vistas como depósitos de coisas velhas, um local para o castigo e para colocar os incapacitados mentalmente ou fisicamente de continuar suas atividades (vide professores), a biblioteca é o local da poeira, das pessoas chatas, de nerds e coisas retrôs, tipo máquinas de escrever, carimbos e antigos fichários...

Mas será que essa é nossa realidade atual? Creio que não, mas por que nossos chefes, administradores, gestores, enfim, continuam a pensar assim?

Pode ser impressão minha, mas creio que seja porque nós, bibliotecários, não nos impomos como aquele capaz de levar qualquer um à informação que deseja. Nos satisfazemos em ser citados nas páginas de agradecimentos, quando na verdade deveríamos também fazer parte das páginas de referência! Temos que defender "nossas" bibliotecas com unhas, dentes, livros e poeira! Afinal, fomos preparados para saber o que de melhor uma biblioteca pode oferecer, desenvolver suas potencialidades, criar produtos e serviços e integrar as bibliotecas ao conceito tecnológico do século XXI.

Será que nossas bibliotecas não estão da forma que estão porque não nos empenhamos em defendê-las? Na maioria das vezes temos medo do que um enfrentamento pode representar, mas acho que devemos ao menos tentar.

Eu tentei defender a minha biblioteca, reafirmei perante todos o meu juramento: "Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana" e assim briguei e continuarei brigando para fazer uma Biblioteconomia melhor e mais ativa, afinal... É uma verdade que me orgulho de ser Bibliotecário e isso vale muito, mas muito mesmo!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Registros do Conhecimento - o Livro

O LIVRO[1]

Livro, do latim Liber, é, modernamente, uma reunião de cadernos de papel, com textos tipograficamente impressos, costurados entre si e brochados ou encadernados. O livro é, em suma, um conjunto de elementos de comunicação gráfica que contém idéias, descrições ou referências a vários assuntos com o propósito de divulgar informações ou preservar o registro de fatos de qualquer natureza. Acredita-se que liber em latim, primitivamente significava a casca de certos vegetais que se apresentavam de forma laminada. Embora remota, a origem do conceito não antecede a invenção pelo homem da representação gráfica das idéias, isto é, da escrita. Não somente as cascas das árvores, mas também a pedra, o bronze, as tábuas de madeira, a placa de argila foram utilizadas no passado remoto como materiais para o livro. Em todas as civilizações com literatura escrita, o livro sempre foi instrumento fundamental para a difusão e preservação da cultura.[2]

A história do livro começa juntamente, como vimos acima, com a invenção da escrita (mais ou menos do século IV a. C.), mas ainda não da forma como conhecemos. Os primeiros registros do conhecimento que tiveram como meio de expressão a escrita foram talhados em tábuas de argila na antiga Mesopotâmia, porém apenas alguns desses registros chegou ao nosso tempo e hoje estão expostos em museus ao redor do mundo.


Contudo, em conjunto com a sociedade, os registros do conhecimento só se aperfeiçoaram, passando pela escrita em pergaminho, no Egito, onde um tipo de papel sensível feito a partir da planta de mesmo nome e muito comum no Vale do Nilo era usada para fazer papel. Este era em forma de rolo, não existindo a divisão por páginas.

Alguns séculos depois, foi a vez do pergaminho se popularizar, e foi aí que o livro ganhou o formato no qual o conhecemos, chamado códice, que consiste numa série de folhas cortadas ou dobradas entre duas capas de couro ou madeira. O pergaminho origina-se do uso do couro de diversos animais para a confecção de um papel de excelente qualidade e resistência.

Porém todos os processos acima descritos referem-se ao livro Manuscrito – livro criado artesanalmente e escrito e ornamentado a mão. Os monges copistas eram os grandes  disseminadores de tal formato, porém, a capacidade de reprodução dos livros era baixa, e a produção bibliográfica idem, tendo em vista o tempo que demanda escrever ou copiar inúmeras páginas, além do trabalho de ornamentação das páginas.

Porém, no século XV, Johannes Gutenberg[3] cria a prensa de tipos móveis, que veio facilitar a criação de reprodução dos livros. Com tal advento a velocidade com que os textos eram produzidos e reproduzidos diminui significativamente, e o livro passa a se difundir mais na sociedade. No seu início a imprensa ainda utilizava-se de alguns processos artesanais, como o de ornamentação, mas só o fato de a escrita a mão não fazer mais parte do processo reduziu significativamente o tempo de criação do livro.

Com o caminhar dos séculos, os livros também foram se aperfeiçoando, e o pergaminho, papel caro e que demandava muito tempo para confecção e acabamento, acabou substituído pelo papel vegetal, menos duradouro, porém mais barato. O que tornou o livro acessível não só para as famílias mais abastadas – visto que o livro era muito mais caro do que é hoje, um objeto só para os mais ricos.


Hoje, debate-se em todo o mundo e até proclama-se o fim do livro em pape graças ao advento dos e-books. Porém, apesar das previsões desastrosas sobre o futuro do livro, hoje é certo que ele só está mais consolidado em nossa sociedade, em função também da diminuição do número de analfabetos ao redor do mundo e o preço mais acessível.


A BIBLIOTECA
  
Tradicionalmente a Biblioteca é o local de guarda dos livros, quase toda pessoa tem em sua casa uma biblioteca, seja ela mini ou gigantesca.

Desde sempre as bibliotecas e os livros e demais registros do conhecimento nãos e desgrudaram. Tanto que o nome Biblioteca deriva do grego e significa Caixa de Livros ou Depósito de Livros.

Tradicional lugar de guarda e perpetuação da memória foi graças às diversas bibliotecas no mundo que a os registros mais antigos do conhecimento humano chegaram até nós e por isso hoje podemos saber que existiram tábuas de argila que foram os primeiros “livros”.

Nos registros guardados pelas bibliotecas ao longo dos séculos é possível encontrar informações sobre povos e civilizações que não mais existem. Assim, a importância da biblioteca, além de fornecer acesso aos suportes do conhecimento, tais como livros, é fazer com que as informações que hoje se encontram nesses suportes alcancem mais e mais gerações e atravessem o maior número de séculos possíveis.


[1] Adaptado do projeto de exposição na escola na qual trabalho.
[2] Adaptado de Barsa (vol. 9) e Mirador (vol. 13).
[3] Não se sabe ao certo se Gutenberg criou realmente a máquina ou a adaptou de outras semelhantes, como a Chinesa e a Holandesa, porém, foi consagrado que a autoria da prensa de tipos móveis seria dele.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Para pensar...

"A poeira das bibliotecas é a verdadeira poeira dos séculos" - Mário Quintana

Frase sensacional! Se tivesse achado antes estaria dentre um dos motivos para a criação do blog...

Afinal, a poeira dos séculos é o que herdamos de nossos antepassados e cabe a nós revirá-la em busca de novas descobertas e novos conhecimentos...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Uma biblioteca no porão

Era uma vez uma biblioteca, mas essa biblioteca era diferente, era ficava num porão! Isolada de tudo e de todos essa biblioteca não sabia o que se passava no mundo. Seus livros ainda diziam que o mundo era dividido entre Portugueses e Espanhóis, seu português ainda era cousa do século que passou. Sua poeira, por mais que tirassem, acumulava-se mais do que juros em tempos de crise - e por estar num porão, toda a poeira da rua, dos carros, das pessoas passando, caía justamente na pobre biblioteca...

Em cada estante que se olhava via-se o quanto os livros dali precisavam de uma nova vida, de luz, de leitores! Mas por mais que a pobre biblioteca se esforçasse ela ainda era um lugar onde o silêncio imperava, não o dos estudos, mas o  do vazio, abandonada num porão a biblioteca ia definhando, porém, a casa onde ela estava também ia definhando... Sem o sopro de renovação que as descobertas feitas na biblioteca proporcionam, a casa também foi perdendo o seu brilho, o seu por quê...


Talvez naquele porão estivessem coisas que não devessem ser enterradas, mas sim, cultuadas, pois ali temos os grandes mestres, temos o Machado, o Alencar, o Lima, o Amado, e muitos outros ícones do passado, mas que são inspiração para o futuro. Lá também estão os gigantes nos quais Newton se apoiou nos ombros e revolucionou o mundo! É... Mas enterrados ali a quem eles podiam influenciar? A quem eles podiam falar? A quem eles podiam se mostrrar?

Ali, no berço das pesquisas, parece que somente a arqueologia seria capaz de resgatá-la, mas já quando tivesse extinta - porém, mesmo assim, cumpriria a sua missão de falar ao futuro!

Talvez, algum dia, a biblioteca pode sair da escuridão do porão e se mostrar para o mundo e dele tirar novas lições, pois é da interação do mundo e da biblioteca que nascem novas reflexões, novas idéias, novos sentimentos...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

100 anos de Biblioteconomia no Brasil

Há 100 anos, foi aprovada a criação do primeiro curso de Biblioteconomia do Brasil e também da América Latina.



Fundado nos porões da Biblioteca Nacional, o curso só começou a funcionar efetivamente, se não me engano, em 2014.

Tenho motivos para comemorar tal data, afinal sou filho desse curso, hoje incorporado à estrutura da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Mas, sobretudo, tenho a obrigação de mostrar o contexto no qual se desenvolveu a criação do curso.



No início do século XX, o Brasil, quer dizer, a cidade do Rio de Janeiro, passava por grandes transformações. Pereira Passos, Oswaldo Cruz e outros, foram os atores principais de tais mudanças, visando sanear o Rio, que era terreno fértil para a proliferação de várias doenças, uma verdadeira revolução tomou conta da cidade, ou melhor, do seu coração, o Centro. Dentre as várias mudanças as mais representativas foram a abertura da Avenida Central (atual Rio Branco) e a derrubada do Morro do Castelo, certidão de nascimento da cidade...



Durante toda a primeira década do século passado vários sobrados, considerados focos de doenças, foram derrubados e deram lugar ou à Avenida ou a novas construções mais modernas, e, assim, a cidade do Rio ganhava mais um grande conjunto arquitetônico preservado até hoje, a Praça Floriano ou, simplesmente, Cinelândia. Nela estão os prédios do Theatro Municipal, Câmara de Vereadores do Rio, Museu Nacional de Belas Artes e da Biblioteca Nacional.

Nesse contexto, a idéia era dizer aos estangeiros que o Brasil estava se modernizando e que uma capital limpa, civilizada e livre de doenças poderia existir no Hemisfério Sul.



Daí, a idéia de prédios magníficos, pois eles nos passam a idéia de erudição. Logo, ter um prédio digno da Biblioteca Nacional era importante, além de um acervo valioso e raro, porém, era preciso que as pessoas soubessem como lidar com tal preciosidade e dar às obras o valor e o tratamento que elas mereciam.


Assim, surge a idéia da criação do curso de Biblioteconomia, para formar profissionais que atendessem os anseios da Biblioteca Nacional de ter o seu acervo tratado e bem cuidado, pois a imagem de um país interessado pela cultura e civilizado se constrói por prédios magníficos, mas também por coisas que funcionem.

E nesse contexto, com o intuito de transmitir erudição e civilidade aos estrangeiros, principalmente europeus, nasce a Biblioteconomia no Brasil e o terceiro no mundo!

domingo, 29 de maio de 2011

Saque ao patrimônio

Hoje, 29 de maio, foi publicada uma reportagem no jornal O Globo sobre roubos recentes no acervo e na gestão da Biblioteca Nacional (veja). Pensei se seria ético escrever sobre, afinal, foram 6 anos dentro da instituição, por isso, não me deterei à instituição e sim ao que significa esse crime contra o patrimônio nacional.

Dizem, que o Brasil é um país sem memória, não sei se é uma afirmação verdadeira, mas que certamente o Brasil é um país sem respeito pelo passado, ah, isso ele é!

Basta ver o número de monumentos que são pixados. É fato, acabou uma reforma, que deixou um prédio ou monumento lindo e limpo e vem um fdp infeliz para pixá-lo - eu, particularmente considero os pixadores uns babacas! Mas voltando, isso não demonstra clara falta de respeito? De apego aos símbolos do passado?


A maioria de nós, acaba por agir como os bombeiros do filme Fahrenheit (que já foi citado em post anterior), destruindo não somente livros, mas também todo o patrimônio histórico que existe. Andar pelas ruas do Rio é a maior prova disso! O descaso e a falta de respeito com os símbolos nacionais por parte das autoridades e da população é latente! Hoje, só achamos que é importante - e olhe lá - o que está em museus, bibliotecas, arquivos etc, quando na verdade, esquecemos de monumentos, prédios, estátuas, que são parte da construção memorial de qualquer civilização. E, ao que parece, as paredes, cofres, câmeras e demais aparatos de segurança, não são mais eficientes para segurar o ímpeto de bandidos, que se fingem de pesquisadores para subtrair o patrimônio, que é meu, que é seu, que é nosso! O que demonstra total falta de respeito pela instituição e pela sociedade!


Eu, pretendo educar meu(s) filho(s) para que tenham respeito pelas coisas, respeito pelo patrimônio, pela história, pela memória, pelas pessoas, pela cidade, e talvez esteja na educação - em casa e na escola - a chave para que o hábito de respeitar seja cultivado em nós... Afinal, por vezes, o conhecimento, leva ao respeito.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A Biblioteca Inclusora

Hoje, temos em voga vários debates relativos a web, internet, novas tecnologias, computadores etc. Uma das que sempre estão em voga é a da inclusão digital, pois, principalmente em países como o nosso, onde as diferenças sociais são imensas, vemos poucos tendo acesso a muita coisa e muitos sendo excluídos do mundo tecnológico, não que hoje um computador não faça parte da vida da maioria dos brasileiros - até mesmo pelo preço que caiu consideravelmente nos últimos anos, mas ter um computador em casa, efetivamente não significa ter acesso ao mundo digital, visto que o Brasil possui uma das bandas largas mais caras e ineficientes do mundo e, por isso, a internet "rápida" não chega a todos.

Porém, a biblioteca pode ter um papel preponderante nessa situação, ao se fazer um local de inclusão digital. Pois, se a biblioteca já é um lugar de desenvolvimento das ciências e tecnologias, ela tem potencial enorme para preencher a lacuna de acesso às novas tecnologias. O governo talvez não esteja atento, pois quer financiar a criação de lan houses com esse fim, mas se há uma lei que diz que todo município deve ter uma biblioteca, inclusive há financiamento para isso através do Ministério da Cultura por meio do Programa Livro Aberto (se não me engano). Programa este gerenciado pela Biblioteca Nacional e que visa modernizar ou montar bibliotecas em todos os municípios brasileiros através da assinatura de acordo, com a oferta por parte da biblioteca de mobiliário, televisão, computadores, base de dados gratuita e já preenchida, acervo base etc Pelo menos o básico para que uma biblioteca funcione. Enquanto o município só deve ter o espaço a ser ocupado.



Claro que não entendo inclusão social como dar acesso ao Orkut, MSN, Facebook e coisas do gênero, mas elas fazem parte, e talvez o treinamento de usuário e atrelar o uso dos computadores ao uso da biblioteca possa servir de impulso para o uso efetivo da biblioteca como um ambiente de aprendizagem e desenvolvimento.

PS: contribuição da minha colega de trabalho, Zê.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Um clássico, mas sem figuras...

Não sei se foi só comigo, mas quando era pequeno e ia à biblioteca, sempre pegava por empréstimo um livro que tinha muitas figuras, não que eu não gostasse de ler, mas é que ter figuras diminuía o número de páginas e servia para ilustrar o que eu estava lendo. Afinal, sempre fui fã de imagens!

Certa vez, vendo um desenho, chamado Duck Dodgers (que na verdade é um personagem interpretado pelo Patolino), o capitão Duck Dodgers olha uma estante e começa a procurar por um livro pronunciando a seguinte frase: "Um clássico da literatura, mas não tem figuras...", antes de atirar o pobre livro ao fogo...


Vendo isso, logo me identifiquei, afinal, devia estar no 4º período da faculdade (é, eu sempre assisti e continuo a assistir desenhos, mesmo depois dos 20), e me perguntei o que afinal, seriam essas figuras no contexto da biblioteca, já que no livro eu sabia muito bem!

Se no livro, as imagens atraem e agregam valor à leitura. numa biblioteca entendo que alguns fatores devem fazer o papel de figuras e atrair usuários. Talvez, o começo, seja saber o que há na biblioteca, pois conhecer o acervo de cor e salteado é obrigação de seu gestor - não estou dizendo que é para decorar a posição dos livros na estante, mas sim, conhecer possíveis obras que chamem a atenção do público. Visto isso, por que não começar com uma exposição de obras interessantes? Expor é colocar a luz para que todos possam ver o que a biblioteca pode oferecer.

Outra atitude seria a criação de uma newsletter ou serviço de alerta ou boletim informativo da biblioteca, pois, novamente, levar ao conhecimento do público o que a biblioteca possui e os trabalhos que ela pode desenvolver atrai a curiosidade de leitores e pesquisadores.

A partir daí, a criação de seminários, eventos que levem gente à biblioteca é uma boa opção, pois por vezes passamos em frente à vários locais legais, mas que não conhecemos...

Como pudemos ver... Fazer conhecer, é uma saída, logo o marketing de bibliotecas é uma saída para criar as figuras que ela precisa para atrair público e fazem parte da reinvenção da biblioteca e do bibliotecário.

sábado, 7 de maio de 2011

Biblioteca 24 horas

Sempre que penso numa biblioteca universitária ou especializada penso porque elas não são 24 horas. No mundo atual, onde todos pedem mais 15 minutinhos de sono ou mais uma horinhas para fazer o que gosta ou aquela pesquisa atrasada, ter uma biblioteca funcionando 24 horas seria uma ajuda e tanto para muitos!

Quantos amigos e conhecidos que estavam na graduação, mestrado ou doutorado lutavam para fazer suas pesquisa porque o horário das bibliotecas não era compatíveis com os seus... A maioria tinha que esperar as férias para poder pesquisa, ou as vezes pagar alguém para fazer suas pesquisas, ou depender de favores...

Se a biblioteca funcionasse 24 horas, parte desses problemas seria resolvido - ainda mais porque algumas pessoas funcionam melhor de madrugada (o que não é meu caso). Claro, uma estrutura deveria ser montada, como a contratação de bibliotecários que se dispusessem a trabalhar de noite, além da essencial máquina de café e lanchinhos... rsrsrsrsrs

Mas fica a idéia, e uma pesquisa rápida  no Google me mostrou que algumas iniciativas do tipos já estão sendo realizadas no Brasil.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A Nova Biblioteca

Mudança, essa é a palavra em voga nas bibliotecas. Como se adaptar aos novos tempos? Às novas tecnologias? Não penso em dar respostas, mas semear a discussão... O que fazer?



Tem gente que pensa, ainda, que a biblioteca é um depósito de livros, onde o silêncio deve imperar e a bruxa que cuida dos livros, vulgo bibliotecária, estará sempre com sua cara emburrada e chamando a atenção até do vento por fazer barulho...

Mas a biblioteca, recentemente, tem passado por inúmeras transformações. Com o advento tecnológico, a biblioteca passa a ter novos dilemas, além de ter o livro acessível ao público, até porque, hoje, uma biblioteca não se restringe a uma coleções de livros, ela teve o seu acervo transformado, e além dos tradicionais periódicos e mapas, juntaram-se meios audiovisuais (CD's, DVD's, Pen Drive etc), e os novos suportes, agora digitais. E não somente ele, agora até mesmo bibliotecas, só existem no mundo virtual.


Em meio a tantas transformações, tantos suportes e revoluções tecnológicas, urge acabar com o estigma de antiquada e ultrapassada que rotula as bibliotecas, ao menos no Brasil. Tem gente que não concorda comigo, mas as regras de uma biblioteca servem muito mais para afugentar usuários do que atraí-los, primeiro porque sempre é proibido, expressão muito forte ao meu ver, talvez o não permitido seja mais ameno e menos ditatorial...

Afinal... É PROIBIDO comer; É PROIBIDO falar alto; É PROIBIDO o uso de telefone celular; É PROIBIDO...

E porque não uma lista de é permitido??? É permitido se acomodar da forma que se sentir mais a vontade; É permitido discutir os assuntos; É permitido fazer trabalhos em grupo, e por aí... Permitir, é melhor do que  proibir!

Acho que antes de mais nada, temos que entender a Biblioteca como um local de desenvolvimento das ciências e tecnologias!

Indiana Jones, interpretado por Harisson Ford, em seu primeiro filme fala:

"70% da arqueologia é realizada dentro de uma biblioteca!" (ou algo semelhante...)

O que isso quer dizer? Na minha visão, ele quer dizer que o conhecimento está dentro das bibliotecas e quem pretende desenvolver, estudar ou simplesmente entender uma sociedade deve ter acesso a uma Biblioteca. Afinal, é lá que está armazenado o conhecimento humano!

Dito isso, creio que impor regras etc, nada mais faz do que afastar as pessoas do conhecimento. Outro agravante, é se antes só existia a biblioteca, hoje o Google faz o papel de aproximar as pessoas do que desejam... Logo, quem busca a biblioteca é porque enxerga nela algo mais, seja o silêncio de uma sala reservada, seja o acesso a obras já esgotadas!

Logo não podemos nos esquecer, não se faz ciência com proibições e sim oferecendo condições para que todos possamos estudar, ler, pesquisar...

Outra alternativa, é não fugir das redes sociais, pois se a biblioteca faz parte da rede de construção das ciências, por que não colocá-la no mapa das redes sociais? Sabemos que ferramentas existem, a Disseminação Seletiva da Informação, via alertas, e-mail, informativos, facilitam o trabalho do bibliotecário e divulga a biblioteca. Saber existe é o primeiro passo para que os usuários busquem consultar o acervo da biblioteca.


Mudar e transformar a biblioteca, integrando-a ao novo mundo é o desafio da Biblioteconomia no século XXI. Quem sabe, não é a chance de reinventar essa instituição milenar?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Brasil precisa de 178 mil bibliotecários, segundo o Correio da Paraíba

É amigos... 178 mil bibliotecários, esse é o número de vagas para bibliotecários só em escolas... Imagine se considerarmos as "salinhas de leitura" nas empresas?

Segundo o Correio da Paraíba, em reportagem publicada no Portal Interjornal (Link), o Brasil sofre hoje com uma defasagem enorme de profissionais em Biblioteconomia. E quando se fala enorme, é enorme mesmo! São 178 mil vagas ociosas que deverão ser preenchidas até 2020, quando o prazo dado pela Lei nº 1.244 de 24 de maio de 2010 se extingue.

A lei diz o seguinte:

"Lei da Biblioteca Escolar - Lei nº 12.244 de 24 de maio de 2010
Dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º As instituições de ensino públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do País contarão com bibliotecas, nos termos desta Lei.

Art. 2º Para os fins desta Lei, considera-se biblioteca escolar a coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura.

Parágrafo único. Será obrigatório um acervo de livros na biblioteca de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado, cabendo ao respectivo sistema de ensino determinar a ampliação deste acervo conforme sua realidade, bem como divulgar orientações de guarda, preservação, organização e funcionamento das bibliotecas escolares.

Art. 3º Os sistemas de ensino do País deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização das bibliotecas escolares, nos termos previstos nesta Lei, seja efetivada num prazo máximo de dez anos, respeitada a profissão de Bibliotecário, disciplinada pelas Leis n 4.084, de 30 de junho de 1962 [Dispõe sôbre a profissão de bibliotecário e regula seu exercício], e 9.674, de 25 de junho de 1998 [Dispõe sobre o exercício da profissão de Bibliotecário e determina outras providências].

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 24 de maio de 2010; 189º da Independência e 122º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Fernando Haddad

Carlos Lupi

Este texto não substitui o publicado no DOU de 25.5.2010". (Consulte aqui)

Viram???

Apesar da fraca definição sobre o que é biblioteca escolar, a lei ao menos diz que a finalidade do acervo é ser usado, consultado, pesquisado. Outro ponto que achei omisso foi não deixar claro que a biblioteca deve ter um bibliotecário, ela só diz que a profissão deve ser respeitada, mas o que isso quer dizer segundo a lei?

Outro ponto da matéria é que não traz dados concretos sobre o atual estado dos bibliotecários brasileiros, a única menção é de que ganhamos abaixo do que deveríamos, fato já confirmado pela maioria de nós, infelizmente...

Um dado que seria interessante é saber quantos bibliotecários estão efetivamente exercendo a profissão no país... Procurei no Conselho Federal de Biblioteconomia, mas não encontrei nada a respeito... Porém encontrei o Censo Profissional, que pode ser o instrumento que nos dirá, pelo menos aproximadamente, quantos profissionais existem no país, e onde eles estão. Pelo menos, segundo o CRB-1, sabemos que existem 39 instituições de Ensino Superior formando Bibliotecários (a lista). Se considerarmos a média citada na reportagem (de que a UFPB forma de 40 a 50 alunos por anos, ou seja, 45 de média), teremos o seguinte quadro:

45 formandos ano ano x 39 instituições = 1.755 formandos por ano no país

*Num prognóstico positivo, arredondaremos para 1.800, visto que é uma média.

1.800 formando ao ano x 11 anos (visto que o ano de 2010 conta) = 19.800 bibliotecários formados entre 2010 até 2020

19.800 + (os que estão formados [???: o Censo pode responder] - os que se aposentarão) = número que não chega perto de 178.000 vagas...

Posso não ter os números precisos para gerar uma estatística correta sobre a situação, mas será preciso que fiquemos atentos ao cumprimento da lei, pois senão, será mais uma a não vingar e a maioria das vagas será ocupada por professores que não podem dar aula e gostam de ler... CRB's e CFB, abram os olhos!

Para participar do Censo, basta entrar em contato com o seu CRB e solicitar uma senha, conforme explica a resolução (http://www.cfb.org.br/censo/censo.pdf).

PS: um lado do bom dos números é que podemos reduzir nossa carga horária para 20 ou 30 horas semanais e trabalhar em 2 bibliotecas! rsrsrsrrsrs

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O fator "Web"

É inegável que o mundo "se tornou menor" com o advento (!!!) do computador, a cada dia temos acesso a mais e mais informação e de todas as partes do mundo, hoje é fácil "conhecer" a Moldávia, difícil é saber onde ela fica (R: Europa).

Com tanta informação acessível de forma tão rápida e fácil, alguns estudiosos (burros) proclamaram que a morte dos livros, jornais e outras formas e conhecimentos impresso era questão de tempo... Pois bem... O que de fato ocorreu é que nunca a humanidade produziu tanto papel como nos dias de hoje. Por questões práticas, é melhor ler um documento impresso, no conforto da sua cama, do que uma tela de computador, sentando numa posição quase sempre desconfortável. Podemos dizer que a web facilita o caminho até a informação, mas que o papel ainda é o suporte informacional mais usado.

Contudo, para facilitar o acesso à informação, algumas publicações passaram a ser em formato digital e em papel - dando opção ao pesquisador, quanto ao suporte que preferir. Outras ações foram realizadas fazendo com acervos antigos, fossem totalmente digitalizados por suas instituições detentoras. E o tema de hoje tem haver diretamente com isso, pois daremos aqui a dica de algumas publicações oferecidas em sua versão digital (não diretamente, até porque pessoas já fizeram isso...).

Começo pela lista do também bibliotecário Alex da Silveira, meu ex-companheiro de trabalho na Divisão de Periódicos da Biblioteca Nacional. O Alex confeccionou uma lista dos principais Periódicos Digitalizados, nela estão contidos os links para que você chegue ao acervo digital da Veja, por exemplo, ou da Folha de S. Paulo, além do Jornal do Brasil, Careta, Fon Fon, e por aí vai... A lista você encontra no site do Alex, o Bibliotecno (Aqui), ou no site da Biblioteca Nacional (Aqui também). Recomendo bastante o site do Alex paa quem curte inovações tecnológicas, vale muito a pena conferir!


 

Outras inciativas também foram realizadas por revistas científicas, que passaram a disponibilizar o seu conteúdo na rede, o que para os pesquisadores é mais do que uma mão na roda! A lista elaborada pelo Extralibris, arrola periódicos brasileiros da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação (Confira aqui). Outra iniciativa na mesma direção é do SCIELO, que arrola periódicos de diversas áreas e em diversas línguas (Conheça aqui)

E se tratando de instituições de memória, outra atitude que vale a pena conferir é a do Museu Histórico Nacional que disponibilizou seus Anais na íntegra, basta ir em http://www.docpro.com.br/mhn/bibliotecadigital.html - o máximo que você terá que fazer é instalar um plugin.



Espero que aproveitem as listas e sugiram o que ficou faltando!

PS: Eu consigo ler no PC até 20 páginas passou disso só em papel mesmo... Até porque gosto de rabiscar e fazer anotações... =]

terça-feira, 26 de abril de 2011

Fahrenheit 451

A temperatura em que o papel queima e o título de um ótimo filme (e livro)!

Fahrenheit 451, livro de Ray Bradbury, publicado em 1953, cujo filme foi lançado em 1966, narra a história de uma sociedade onde os livros são proibidos e qualquer opinião própria é duramente reprimida. Uma sociedade onde os bombeiros provocam incêndios ao atear fogo nos livros e são os expoentes da repressão, censurando toda e qualquer opinião formada pela pessoa e que não venha do meio de comunicação em massa mais popular da sociedade, a televisão.

O filme, um tanto surrealista, com um visual futurista, mas imaginado em 1966, soa meio que estranho... Mas não deixa a desejar. Veja alguns trechos:



Tal tema, destruição dos livros, é recorrente na história humana, desde a antiguidade, ainda com os rolos de papiro o meio mais eficiente de apagamento da memória de um povo é destruir toda a sua cultura, a começar, hoje, pelos livros, como foram os papiros, tábuas de argila e códices de ontem... Uma vez um professor indagou qual seriam um dos primeiros locais bombardeados em caso de uma guerra? A resposta, por mais estranha que possa soar, são biblioteca nacional, arquivo nacional e museu nacional - ou seus equivalentes -, pois são nesses locais de memória, que se preserva a cultura de um país ou um povo. E numa guerra, onde o objetivo é destruir o outro, nada mais "normal" do que destruir o inimigo e também exterminar a sua história, acabar com a sua memória... Não por acaso, o exército americano atingiu "sem querer" umas três vezes a Biblioteca Nacional do Iraque, destruindo ou deixando em pedaços a história de uma civilização de mais de 5 mil anos... As imagens dos saques aos bens culturais de Bagdá são emblemáticas e retratam bem o que quero dizer.

Outro marco iconográfico que pode ser interpretado da mesma maneira, é a derrubada da estátua de Sadam. Por mais que demonstre o poderio bélico americano, um símbolo de "quem manda", é, também, um símbolo do apagamento da memória que aquele monumento possa representar.

Se hoje os cientistas, historiadores, arqueólogos e outros lutam para entender o calendário Maia, é porque os colonizadores espanhóis foram extremamente eficientes no quesito "apagamento de memória", pois destruíram todos os meios de entendimento das culturas maia, inca e asteca - incluindo os seus livros... Se hoje temos um quebra-cabeça imenso, mais ou menos do tamanho da América Latina, grande parte se deve à intolerância dos espanhóis (e por que não, portugueses, já que os registros indígenas também foram destruídos).

Voltando aos livros e ao filme... Se você não quer saber o final dele, pare de ler aqui, caso contrário continue...

Tem certeza de que quer continuar???


OK, então!


No final do filme, Montag, a personagem principal da história, se refugia numa floresta, onde residem os chamados "Homens Livro", nela, cada habitante, deveria ler um livro, decorá-lo e depois... Queimá-lo... Ao decorar o livro, o homem assume como sua identidade o título do livro, sendo assim, John (inventei um nome qualquer...) se torna Cândido (obra de Voltaire), e assume o compromisso de repassá-lo para seus semelhantes. Sendo assim, o "Homem Livro" nada mais representa do que a resistência, a vontade de não esquecer, o lembrar e eternizar.

Para saber mais, temos o livro de Fernando Baez, "História universal da destruição dos livros: das tábuas sumérias à guerra do Iraque" e um que não lembro o título e que irei postar assim que lembrar... =]