Pretende discutir assuntos relacionados à Bibliotecas, Arquivos, Museus, História, Memória e futilidades que valem a pena. Não espere nada muito científico, mas também não espere algo microbiano...
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quarta-feira, 11 de julho de 2012
Hemeroteca Brasileira
Semana passada foi lançada pela Biblioteca Nacional o site da Hemeroteca Digital Brasileira, mais uma iniciativa de acesso às informações preservadas nos armazéns da Rio Branco, 219.
A Hemeroteca (http://hemerotecadigital.bn.br/) permite a consulta a um bom número de jornais não correntes e que foram digitalizados, permitindo inclusive a consulta por palavra-chave.
Como fonte de pesquisa, a iniciativa tem tudo para dar certo, uma vez que não será mais necessário o deslocamento até o Centro do Rio para a pesquisa - os pesquisadores de outros estados agradecem!
Uma dica quando buscar por palavras-chave é checar a ortografia adotada na época, pois até onde testei o programa não faz essa correção automaticamente, logo, quando buscamos por Biblioteca, dependendo do período teremos que usar o "TH".
Em meio a crise que rondou a Biblioteca Nacional nos últimos meses por conta dos danos ao acervo causado por sucessivos sinistros, a Hemeroteca Digital têm potencial para se tornar um dos mais importantes instrumentos de pesquisa no Brasil, ainda mais por ter o seu acesso livre e irrestrito.
Segundo a sua descrição, "Na HEMEROTECA DIGITAL BRASILEIRA pesquisadores de qualquer parte do mundo passam a ter acesso, inteiramente livre e sem qualquer ônus, a títulos que incluem desde os primeiros jornais criados no país – como o Correio Braziliense e a Gazeta do Rio de Janeiro, ambos fundados em 1808 – a jornais extintos no século XX, como o Diário Carioca e Correio da Manhã, ou que não circulam mais na forma impressa, caso do Jornal do Brasil".
Creio que é um instrumento de pesquisa que vale ser visitado, ainda mais pela curiosidade que desperta, sobretudo no aprendizado em lidar com as ferramentas - que convenhamos, são bem inteligíveis e permitem uma busca rápida e fácil.
Visitem: http://hemerotecadigital.bn.br/ e http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx
sexta-feira, 11 de maio de 2012
A Memória, enterrada, do Brasil
Excelente reportagem da Miriam Leitão sobre as escavações na Zona Portuária do Rio que estão ajudando a reescrever a história dos escravos no Brasil: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2012/05/11/1-milhao-de-escravos-passaram-pelo-cais-do-valongo-444625.asp
Vale a pena conferir!
Vale a pena conferir!
sexta-feira, 20 de abril de 2012
A pedido da prefeitura, CPDOC da FGV explicará nas placas os nomes das ruas do Rio
De O Globo
RIO - A Rua da Quitanda já se chamou “do Açougue Velho” e “João Alfredo”. Teve trechos conhecidos como Canto dos Meirinhos e dos Tabaqueiros, mas foi uma mercearia de esquina, que vendia mariscos e outras comidas, que lhe deu o nome definitivo. Nos livros sobre o Rio de Janeiro, é possível saber outros detalhes da história da Quitanda. Difícil será resumir tudo isso em 140 caracteres, um verdadeiro "twitter" das ruas cariocas.
Desde março, a pedido do Arquivo da Cidade, o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas está levantando a história e revisando a identificação de mais de cinco mil ruas do Rio. Até outubro, a equipe encarregada do projeto “Placas do Rio” terá de sintetizar o que descobriu de cada rua em textos de uma linha e meia (140 caracteres), no máximo, que serão acrescentados às placas públicas.
Só então, os cariocas vão saber que a Quitanda era, originalmente, Rua da Quitanda dos Mariscos, que o general Glicério nunca serviu ao Exército e que Joaquim Nabuco foi um líder abolicionista e não apenas um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, como hoje a sua placa o identifica. O texto explicativo, disse o coordenador do projeto, Américo Freire, informará, quando possível, as datas de nascimento e morte do personagem que dá o nome à rua; a atividade exercida, os cargos públicos ocupados e tipo de premiação recebida.
Desta forma, a placa da Avenida Afrânio de Melo Franco, no Leblon, ganhará o seguinte complemento: "(1870-1943), deputado federal MG, embaixador na Liga das Nações, ministro das Relações Exteriores". À Avenida Paulo de Frontin, será acrescido “(1860-1933), engenheiro, senador, prefeito do DF, deputado federal”. Já existem placas assim no Rio, mas a diretora do Arquivo da Cidade, Beatriz Kushnir, reconheceu que algumas delas apresentam erros e precisam de revisão:
—- Para resolver o problema, nada melhor do que o CPDOC, autor do Dicionário Histórico e Biográfico Brasileiro.
Uma pesquisa rápida no GoogleMaps não localiza o nome “João do Rio” entre as cinco mil ruas da cidade. Portanto, os pesquisadores não terão a chance de identificar o jornalista e escritor cuja obra é fonte de inspiração para todo o trabalho. Em “A alma encantadora das ruas”, lançado no início do século XX, João do Rio escreveu: “A rua é a civilização da estrada. Onde morre o grande caminho começa a rua, e, por isso, ela está para a grande cidade como a estrada está para o mundo”.
A equipe do CPDOC pretende identificar até 800 placas por mês. Além do Dicionário Histórico e Biográfico e outros dicionários da instituição, os pesquisadores deverão recorrer ao próprio acervo do Arquivo da Cidade, onde as ruas estão descritas em fichas datilografadas por um funcionário desconhecido. Se as dúvidas persistirem, eles planejam recorrer aos atos originais de criação das ruas.
— Há muitas datas comemorativas, como Treze de Maio, por exemplo. Essa é fácil de identificar. Mas, Dois de Dezembro (nome de uma rua no Flamengo)? Confesso que não faço a menor ideia do que ocorreu nesta data — admite o professor Américo Freire.
O coordenador do projeto sempre achou que "General Glicério", rua de Laranjeiras, era inspirada nas quatro estrelas da farda do militar. Mas Francisco Glicério nunca pisou numa academia militar. Destacado líder republicano do fim do século XIX, ele sempre foi civil e recebeu a distinção como reconhecimento do governo provisório.
Pesquisa traça geografia política dos nomes
Se o cronista João do Rio dizia há mais de um século que as ruas têm almas (“há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas..”), os pesquisadores do CPDOC acrescentam que as placas das ruas também incorporam a história de suas cidades. Em se tratando da antiga capital, o alcance é ainda maior: elas ajudam a contar a história do país.
Em um mês de trabalho, os pesquisadores de “Placas do Rio” já perceberam uma concentração de “florianistas”, aliados de Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil (1891-1894), e de barões, condes e viscondes, alguns deles expoentes do ciclo do café no Segundo Reinado, batizando as ruas de áreas mais antigas da cidade.
— Copacabana é mais republicana do que o Centro. Os engenheiros também estão muito presentes. Na medida em que a pesquisa avance, vamos montar a geografia política da cidade e identificar outras tendências — disse Américo.
O objetivo do Arquivo da Cidade, ao contratar o CPDOC, não é esgotar todo o trabalho nos 140 caracteres de cada placa. Beatriz Kushnir, diretora da instituição, prevê o lançamento no ano que vem de um portal com a identificação completa das ruas, incluindo as fichas do acervo devidamente digitalizadas.
Beatriz, que também coordena a comissão carioca de nomeação de logradouros e equipamentos públicos, disse que a pesquisa do CPDOC será repassada para uma empresa especializada em confeccionar e substituir as placas existentes, cujo contrato com a prefeitura foi firmado na gestão de Cesar Maia.
Ela disse que, hoje, o apelo político deixou de ser determinante da escolha dos nomes de rua. Afirmou ainda que os nomes mais recentes submetidos à comissão refletiram muito mais a memória cultural do que a elite dirigente. Uma das últimas ruas inauguradas pela prefeitura, em Senador Camará, se chama “Wando”.
RIO - A Rua da Quitanda já se chamou “do Açougue Velho” e “João Alfredo”. Teve trechos conhecidos como Canto dos Meirinhos e dos Tabaqueiros, mas foi uma mercearia de esquina, que vendia mariscos e outras comidas, que lhe deu o nome definitivo. Nos livros sobre o Rio de Janeiro, é possível saber outros detalhes da história da Quitanda. Difícil será resumir tudo isso em 140 caracteres, um verdadeiro "twitter" das ruas cariocas.
Desde março, a pedido do Arquivo da Cidade, o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas está levantando a história e revisando a identificação de mais de cinco mil ruas do Rio. Até outubro, a equipe encarregada do projeto “Placas do Rio” terá de sintetizar o que descobriu de cada rua em textos de uma linha e meia (140 caracteres), no máximo, que serão acrescentados às placas públicas.
Só então, os cariocas vão saber que a Quitanda era, originalmente, Rua da Quitanda dos Mariscos, que o general Glicério nunca serviu ao Exército e que Joaquim Nabuco foi um líder abolicionista e não apenas um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, como hoje a sua placa o identifica. O texto explicativo, disse o coordenador do projeto, Américo Freire, informará, quando possível, as datas de nascimento e morte do personagem que dá o nome à rua; a atividade exercida, os cargos públicos ocupados e tipo de premiação recebida.
Desta forma, a placa da Avenida Afrânio de Melo Franco, no Leblon, ganhará o seguinte complemento: "(1870-1943), deputado federal MG, embaixador na Liga das Nações, ministro das Relações Exteriores". À Avenida Paulo de Frontin, será acrescido “(1860-1933), engenheiro, senador, prefeito do DF, deputado federal”. Já existem placas assim no Rio, mas a diretora do Arquivo da Cidade, Beatriz Kushnir, reconheceu que algumas delas apresentam erros e precisam de revisão:
—- Para resolver o problema, nada melhor do que o CPDOC, autor do Dicionário Histórico e Biográfico Brasileiro.
Uma pesquisa rápida no GoogleMaps não localiza o nome “João do Rio” entre as cinco mil ruas da cidade. Portanto, os pesquisadores não terão a chance de identificar o jornalista e escritor cuja obra é fonte de inspiração para todo o trabalho. Em “A alma encantadora das ruas”, lançado no início do século XX, João do Rio escreveu: “A rua é a civilização da estrada. Onde morre o grande caminho começa a rua, e, por isso, ela está para a grande cidade como a estrada está para o mundo”.
A equipe do CPDOC pretende identificar até 800 placas por mês. Além do Dicionário Histórico e Biográfico e outros dicionários da instituição, os pesquisadores deverão recorrer ao próprio acervo do Arquivo da Cidade, onde as ruas estão descritas em fichas datilografadas por um funcionário desconhecido. Se as dúvidas persistirem, eles planejam recorrer aos atos originais de criação das ruas.
— Há muitas datas comemorativas, como Treze de Maio, por exemplo. Essa é fácil de identificar. Mas, Dois de Dezembro (nome de uma rua no Flamengo)? Confesso que não faço a menor ideia do que ocorreu nesta data — admite o professor Américo Freire.
O coordenador do projeto sempre achou que "General Glicério", rua de Laranjeiras, era inspirada nas quatro estrelas da farda do militar. Mas Francisco Glicério nunca pisou numa academia militar. Destacado líder republicano do fim do século XIX, ele sempre foi civil e recebeu a distinção como reconhecimento do governo provisório.
Pesquisa traça geografia política dos nomes
Se o cronista João do Rio dizia há mais de um século que as ruas têm almas (“há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas..”), os pesquisadores do CPDOC acrescentam que as placas das ruas também incorporam a história de suas cidades. Em se tratando da antiga capital, o alcance é ainda maior: elas ajudam a contar a história do país.
Em um mês de trabalho, os pesquisadores de “Placas do Rio” já perceberam uma concentração de “florianistas”, aliados de Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil (1891-1894), e de barões, condes e viscondes, alguns deles expoentes do ciclo do café no Segundo Reinado, batizando as ruas de áreas mais antigas da cidade.
— Copacabana é mais republicana do que o Centro. Os engenheiros também estão muito presentes. Na medida em que a pesquisa avance, vamos montar a geografia política da cidade e identificar outras tendências — disse Américo.
O objetivo do Arquivo da Cidade, ao contratar o CPDOC, não é esgotar todo o trabalho nos 140 caracteres de cada placa. Beatriz Kushnir, diretora da instituição, prevê o lançamento no ano que vem de um portal com a identificação completa das ruas, incluindo as fichas do acervo devidamente digitalizadas.
Beatriz, que também coordena a comissão carioca de nomeação de logradouros e equipamentos públicos, disse que a pesquisa do CPDOC será repassada para uma empresa especializada em confeccionar e substituir as placas existentes, cujo contrato com a prefeitura foi firmado na gestão de Cesar Maia.
Ela disse que, hoje, o apelo político deixou de ser determinante da escolha dos nomes de rua. Afirmou ainda que os nomes mais recentes submetidos à comissão refletiram muito mais a memória cultural do que a elite dirigente. Uma das últimas ruas inauguradas pela prefeitura, em Senador Camará, se chama “Wando”.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Bibliotecas e cemitérios
Estranho o título do post, não???
Por que afinal resolvi fazer um post com esse título? Bom, tenho feito muitas leituras, principalmente em função da dissertação. Hoje, estava lendo o livro "O poder das Bibliotecas" e me deparei com a informação de que algumas bibliotecas, até o advento bibliográfico do século XVII, organizavam suas coleções de acordo com os antigos proprietários desta, mantendo sua integridade bibliográfica (no sentido amplo e não restrito apenas a livros). Fiquei mais interessando ainda pelo texto quando achei a citação de uma lei chamada de "Lei da boa vizinhança", somente citada por um autor, que não me recordo qual. De imediato lembrei-me de algumas brincadeiras que fazia em conjunto com outros estagiários quando trabalhávamos na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, onde as coleções são ordenadas de acordo com a sua origem, ou como chamam os arquivistas, procedência. Assim, a Coleção do Lima Barreto, reúne a documentação que pertenceu ao escritor, bem como a de Martins Pena, Gustavo Corção etc.
Porém, sempre fazíamos uma ressalva, que algumas coleções não podiam ficar ao lado de outras, pois tais personalidades eram desafetos na vida pública, claro que falávamos em tom jocoso, até mesmo pelas localização dos itens já estarem consagradas há décadas. Enfim, mesmo que não no mesmo sentido utilizado no texto, buscávamos fazer valer a "Lei da boa vizinhança".
Voltando à situação dos acervos serem organizados de acordo com a sua procedência, o mesmo texto menciona que a partir do advento Bibliográfico, a classificação foi largamente implementada e tal organização caiu em desuso.
Por incrível que pareça, a representação que me veio a mente foi a de um cemitério, sobretudo, ao lembrar-me de uma igreja na República Tcheca, que tem sua decoração feita a partir de osso humanos. A Igreja da cidade de Kutná Hora (http://www.kostnice.cz/).
A história diz que durante umas das muitas pestes e guerras enfrentadas pela Europa, não havia mais locais no cemitério para enterrar mais corpos, então os que já estavam lá há anos ou séculos foram exumados e guardados na igreja que fica ao centro do cemitério. Alguns anos depois a decoração de toda a igreja, incluindo o mobiliário foi feita com os ossos dos exumados.
Tá, mas o que isso tem a ver com livros? Bom, vamos viajar um pouco: as coleções, quando ordenadas de acordo com a ordem dada por seu antigo custodiador constitui-se no seu corpo, numa analogia com os cemitério. Com o advento das Bibliografias, várias dessas coleções foram desmembradas, bem como os ossos das igrejas e reordenadas sob novos critérios, bem como, de novo, os ossos... Assim, novas configurações foram dadas aos itens colecionados, sejam por Igrejas, Cemitérios ou Bibliotecas.
Considerei legal compartilhar com vocês essa viagem sóbria, já que como defensor da totalidade das coleções (porém, não cego, pois sei das dificuldades que permanecer a íntegra das coleções acarreta, entretanto, não entrarei no mérito). Creio que daí evoluem os estudos sobre biblioteca, informação, arquivos, acervos, museus, das viagens com os pés no chão que realizamos. E uma curiosidade é que os cemitérios são ótimos locais para se começarem as pesquisas...
PS: Nenhuma droga, bebida ou derivados foi utilizada durante a leitura ou construção do texto.
PS 2: o texto pode ter certas incoerências pois o cansaço aflige a mente do ser que vos escreve.
Por que afinal resolvi fazer um post com esse título? Bom, tenho feito muitas leituras, principalmente em função da dissertação. Hoje, estava lendo o livro "O poder das Bibliotecas" e me deparei com a informação de que algumas bibliotecas, até o advento bibliográfico do século XVII, organizavam suas coleções de acordo com os antigos proprietários desta, mantendo sua integridade bibliográfica (no sentido amplo e não restrito apenas a livros). Fiquei mais interessando ainda pelo texto quando achei a citação de uma lei chamada de "Lei da boa vizinhança", somente citada por um autor, que não me recordo qual. De imediato lembrei-me de algumas brincadeiras que fazia em conjunto com outros estagiários quando trabalhávamos na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, onde as coleções são ordenadas de acordo com a sua origem, ou como chamam os arquivistas, procedência. Assim, a Coleção do Lima Barreto, reúne a documentação que pertenceu ao escritor, bem como a de Martins Pena, Gustavo Corção etc.
Porém, sempre fazíamos uma ressalva, que algumas coleções não podiam ficar ao lado de outras, pois tais personalidades eram desafetos na vida pública, claro que falávamos em tom jocoso, até mesmo pelas localização dos itens já estarem consagradas há décadas. Enfim, mesmo que não no mesmo sentido utilizado no texto, buscávamos fazer valer a "Lei da boa vizinhança".
Voltando à situação dos acervos serem organizados de acordo com a sua procedência, o mesmo texto menciona que a partir do advento Bibliográfico, a classificação foi largamente implementada e tal organização caiu em desuso.
Por incrível que pareça, a representação que me veio a mente foi a de um cemitério, sobretudo, ao lembrar-me de uma igreja na República Tcheca, que tem sua decoração feita a partir de osso humanos. A Igreja da cidade de Kutná Hora (http://www.kostnice.cz/).
A história diz que durante umas das muitas pestes e guerras enfrentadas pela Europa, não havia mais locais no cemitério para enterrar mais corpos, então os que já estavam lá há anos ou séculos foram exumados e guardados na igreja que fica ao centro do cemitério. Alguns anos depois a decoração de toda a igreja, incluindo o mobiliário foi feita com os ossos dos exumados.
Tá, mas o que isso tem a ver com livros? Bom, vamos viajar um pouco: as coleções, quando ordenadas de acordo com a ordem dada por seu antigo custodiador constitui-se no seu corpo, numa analogia com os cemitério. Com o advento das Bibliografias, várias dessas coleções foram desmembradas, bem como os ossos das igrejas e reordenadas sob novos critérios, bem como, de novo, os ossos... Assim, novas configurações foram dadas aos itens colecionados, sejam por Igrejas, Cemitérios ou Bibliotecas.
Considerei legal compartilhar com vocês essa viagem sóbria, já que como defensor da totalidade das coleções (porém, não cego, pois sei das dificuldades que permanecer a íntegra das coleções acarreta, entretanto, não entrarei no mérito). Creio que daí evoluem os estudos sobre biblioteca, informação, arquivos, acervos, museus, das viagens com os pés no chão que realizamos. E uma curiosidade é que os cemitérios são ótimos locais para se começarem as pesquisas...
PS: Nenhuma droga, bebida ou derivados foi utilizada durante a leitura ou construção do texto.
PS 2: o texto pode ter certas incoerências pois o cansaço aflige a mente do ser que vos escreve.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Sobre paixão, futebol e identidade
Final do ano, o Brasileirão acabou, o Corinthians foi campeão, o Vasco foi vice (de novo) e o Santos também. O Barcelona é considerado o maior de todos pelo menos até a primeira semana de janeiro e assim vamos...
Nesta semana também, o Flamengo comemorou 30 anos do seu título mundial, conseguido pela melhor geração que já jogou na Gávea e um dos melhores times do mundo (palavras da imprensa).
Eu, que nasci em 1985, não tive o prazer de ver esse time jogar, mas dizem que ele era demais, algo como um Barcelona de hoje... Se for verdade, perdi a chance de ver o maior time do Flamengo e creio que nunca mais verei um assim... Mas vai lá saber...
Porém, por mais que tenha nascido 4 anos após a conquista do mundo pelo Flamengo, carrego comigo toda a sua história e me orgulho dela e assim é o torcedor, torcedor é aquele que absorve a história do clube ao qual torce e faz dela a sua.
Tenho saudades de tempos que não vi, de ídolos que sequer conheci, mas que sei que honraram a camisa do meu clube! Afinal, usar a camisa de um clube não um estilo, como algunsretardados dizem. É na verdade uma afirmação identitária, é um laço que une a pessoa ao clube, é uma declaração de amor e afeto por aquelas cores.
O Barcelona é o maior exemplo disso, não sendo apenas um clube, mas o maior expoente na luta Catalã contra a coroa espanhola representada por Madrid ou melhor, pelo Real Madrid. O Barcelona é mais que um clube, é uma afirmação de identidade Catalã pregada desde a tenra idade, afinal, ele é acima de tudo, um clube Catalão e não um clube espanhol...
Outro exemplo: é muito comum você ver no Rio, minha cidade natal, pessoas que são cariocas e que torcem por clubes de outros estados serem massacrados diante de frases do tipo "por quê???"; "para de sacanagem!"; "fala sério";"você prefere torcer por um paulista filho da puta???" etc... Afinal, no Rio temos o Flamengo, o Botafogo, o Vasco e o Florminense Fluminense, além de América, Bangu, Madureira, Olaria, São Cristóvão e outros...
Então por que escolher um time de outro estado? Tal atitude soa como uma afronta ao ideal de identidade regional, afinal, ser carioca vem em primeiro lugar, em segundo vem o time para o qual a pessoa torce e depois o resto, assim sendo, a paixão pelo clube não é sem propósitos, ela visa a afirmação e têm relação direta com a nossa identidade, a nossa identificação, a nossa história e memória, afinal, sempre lembramos de títulos que não vimos, ídolos que já se foram e temos templos consagradas à veneração e a exposição das nossas paixões... O Maracanã é sem dúvidas o maior exemplo... Palco da tragédia de 1950, mas também de várias vitórias memoráveis, onde Garrincha, Pelé, Zico, Nilton Santos e outros desfilaram... Porém, hoje está em ruínas com a desculpa de uma reforma para a Copa... (mas não entraremos no mérito, afinal, isso é papo para outro post)
Não é a toa que todo clube tem um museu, onde são ostentados os seus maiores triunfos, as suas maiores glórias, onde a afirmação de si se faz presente na exaltação do passado e no planejamento do futuro, afinal, nem sempre o ganhar títulos tem a ver com torcer, se fosse assim, o Santa Cruz, recém promovido à Série C, estaria com uma média de torcida pífia ao invés dos 50 mil que lotam o Arruda pra celebrar a paixão pelo clube e honrar a sua história...
Por fim, torcer é mais do que um ato, é uma escolha relacionada a quem somos e com o que e quem nos identificamos...
PS: optei por colocar uma imagem do Camp Nou e da torcida do Barcelona para não polemizar como arco-íris outros torcedores
PS 2: observem que o Maracanã está vazio!
Nesta semana também, o Flamengo comemorou 30 anos do seu título mundial, conseguido pela melhor geração que já jogou na Gávea e um dos melhores times do mundo (palavras da imprensa).
Eu, que nasci em 1985, não tive o prazer de ver esse time jogar, mas dizem que ele era demais, algo como um Barcelona de hoje... Se for verdade, perdi a chance de ver o maior time do Flamengo e creio que nunca mais verei um assim... Mas vai lá saber...
Porém, por mais que tenha nascido 4 anos após a conquista do mundo pelo Flamengo, carrego comigo toda a sua história e me orgulho dela e assim é o torcedor, torcedor é aquele que absorve a história do clube ao qual torce e faz dela a sua.
Tenho saudades de tempos que não vi, de ídolos que sequer conheci, mas que sei que honraram a camisa do meu clube! Afinal, usar a camisa de um clube não um estilo, como alguns
O Barcelona é o maior exemplo disso, não sendo apenas um clube, mas o maior expoente na luta Catalã contra a coroa espanhola representada por Madrid ou melhor, pelo Real Madrid. O Barcelona é mais que um clube, é uma afirmação de identidade Catalã pregada desde a tenra idade, afinal, ele é acima de tudo, um clube Catalão e não um clube espanhol...
Outro exemplo: é muito comum você ver no Rio, minha cidade natal, pessoas que são cariocas e que torcem por clubes de outros estados serem massacrados diante de frases do tipo "por quê???"; "para de sacanagem!"; "fala sério";
Então por que escolher um time de outro estado? Tal atitude soa como uma afronta ao ideal de identidade regional, afinal, ser carioca vem em primeiro lugar, em segundo vem o time para o qual a pessoa torce e depois o resto, assim sendo, a paixão pelo clube não é sem propósitos, ela visa a afirmação e têm relação direta com a nossa identidade, a nossa identificação, a nossa história e memória, afinal, sempre lembramos de títulos que não vimos, ídolos que já se foram e temos templos consagradas à veneração e a exposição das nossas paixões... O Maracanã é sem dúvidas o maior exemplo... Palco da tragédia de 1950, mas também de várias vitórias memoráveis, onde Garrincha, Pelé, Zico, Nilton Santos e outros desfilaram... Porém, hoje está em ruínas com a desculpa de uma reforma para a Copa... (mas não entraremos no mérito, afinal, isso é papo para outro post)
Não é a toa que todo clube tem um museu, onde são ostentados os seus maiores triunfos, as suas maiores glórias, onde a afirmação de si se faz presente na exaltação do passado e no planejamento do futuro, afinal, nem sempre o ganhar títulos tem a ver com torcer, se fosse assim, o Santa Cruz, recém promovido à Série C, estaria com uma média de torcida pífia ao invés dos 50 mil que lotam o Arruda pra celebrar a paixão pelo clube e honrar a sua história...
Por fim, torcer é mais do que um ato, é uma escolha relacionada a quem somos e com o que e quem nos identificamos...
PS: optei por colocar uma imagem do Camp Nou e da torcida do Barcelona para não polemizar com
PS 2: observem que o Maracanã está vazio!
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Salvaguarda da memória
No post do dia 15/06 (Link) a reportagem que trata de como os arquivos dos processos da ditadura foram preservados é bem interessante.
Para quem ainda não viu a reportagem, ela trata da digitalização e publicação na web de imagens de processos da ditadura que foram fotografados e enviados para o exterior por dois advogados, se não me engano.
Enquanto discute-se a abertura ou não dos arquivos, um meio alternativo de preservação da memória criado por essas duas pessoas, permitiu que vários relatos chegassem até nós. Nesse sentido, podemos observar alguns exemplos, como o diário de Anne Frank, que é um item emblemático, pois narra a tentativa de sobrevivência em meio a perseguição nazista e serve de instrumento para que os bastidores do holocausto sejam melhor compreendidos. Fenômeno esse que ainda acontece hoje, pois os diários ainda são uma importante fonte de estudos sobre o cotidiano e sobre a memória social.
Nesse contexto, externar a memória é um meio de recordar e um meio de preservar, já que a capacidade de memória humana é limitada e acabamos selecionando o que devemos ou não lembrar. Bem como a discussão acerca dos arquivos, pois o que o governo quer, é dizer o que devemos ou não recordar - se bem que isso sempre foi feito, mas isso será um tópico abordado mais a frente(espero).
Logo, como acontece conosco quando uma lembrança surge sem que necessariamente queiramos, ela também surge na sociedade, mesmo contra a vontade dos que mandam, ou você acha que todos os setores da sociedade querem as memórias reveladas, como no projeto do Arquivo Nacional, citado, também, no post do dia 15?
O desejo de memória, o qual Jô Gondar fala em seu texto Lembrar e esquecer: desejo de memória, parece ser, por vezes, maior do que a vontade do grupo dominante ou maior do que o desejo de esquecimento...
Assim, preservar, conservar, manter, guardar pode ajudar a desvelar histórias ainda não reveladas, afinal a memória é um meio de perpetuação.
PS: O texto Lembrar e Esquecer: desejo de memória, encontrasse no livro: Memória e Espaço, organizado pela Icléia Thiessen Costa e Jô Gondar, publicado pela Sete Letras em 2000.
Para quem ainda não viu a reportagem, ela trata da digitalização e publicação na web de imagens de processos da ditadura que foram fotografados e enviados para o exterior por dois advogados, se não me engano.
Enquanto discute-se a abertura ou não dos arquivos, um meio alternativo de preservação da memória criado por essas duas pessoas, permitiu que vários relatos chegassem até nós. Nesse sentido, podemos observar alguns exemplos, como o diário de Anne Frank, que é um item emblemático, pois narra a tentativa de sobrevivência em meio a perseguição nazista e serve de instrumento para que os bastidores do holocausto sejam melhor compreendidos. Fenômeno esse que ainda acontece hoje, pois os diários ainda são uma importante fonte de estudos sobre o cotidiano e sobre a memória social.
Nesse contexto, externar a memória é um meio de recordar e um meio de preservar, já que a capacidade de memória humana é limitada e acabamos selecionando o que devemos ou não lembrar. Bem como a discussão acerca dos arquivos, pois o que o governo quer, é dizer o que devemos ou não recordar - se bem que isso sempre foi feito, mas isso será um tópico abordado mais a frente
Logo, como acontece conosco quando uma lembrança surge sem que necessariamente queiramos, ela também surge na sociedade, mesmo contra a vontade dos que mandam, ou você acha que todos os setores da sociedade querem as memórias reveladas, como no projeto do Arquivo Nacional, citado, também, no post do dia 15?
O desejo de memória, o qual Jô Gondar fala em seu texto Lembrar e esquecer: desejo de memória, parece ser, por vezes, maior do que a vontade do grupo dominante ou maior do que o desejo de esquecimento...
Assim, preservar, conservar, manter, guardar pode ajudar a desvelar histórias ainda não reveladas, afinal a memória é um meio de perpetuação.
PS: O texto Lembrar e Esquecer: desejo de memória, encontrasse no livro: Memória e Espaço, organizado pela Icléia Thiessen Costa e Jô Gondar, publicado pela Sete Letras em 2000.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Ainda sobre a problemática da legitimação da memória
Foi publicado ontem (15 de junho) no Blog do Noblat no jornal O Globo o seguinte texto:
"Atentado contra a História do país (Editorial)
O Globo
Um dos indicadores da qualidade de um regime democrático é em que medida a sociedade tem acesso a informações de interesse público sob a guarda do Estado. Quanto maior a dificuldade nesse acesso, mais autoritário o regime, cujas características são o distanciamento e a desconfiança entre o poder público e os cidadãos.
O Brasil, um país de longa tradição de Estado unitário, não tem bom histórico neste aspecto. Daí até hoje não se poder consultar documentos sobre a Guerra do Paraguai, travada no século XIX, encerrada há 141 anos. Trata-se de um crime contra a memória nacional.
Coerente com o atual processo de consolidação da democracia no país, quando se completam 26 anos ininterruptos de estado de direito, recorde na República, tramita no Senado a Lei de Acesso à Informação Pública.
Enviado ao Congresso em 2003, no início do governo Lula, o projeto de lei moderniza as regras de consulta a essas informações e aproxima o Brasil, neste aspecto, de países desenvolvidos e democráticos.
A lei cria três níveis de restrição: documentos reservados (cinco anos de sigilo); secretos (15 anos) e ultrassecretos (25), com a possibilidade de uma renovação de prazo em cada nível. Assim, o máximo que um arquivo do Estado ficará hermeticamente fechado será por 50 anos.
É razoável, se considerarmos que os Estados Unidos acabam de liberar arquivos da Guerra do Vietnã 36 anos depois do encerramento do conflito. Mesmo assim, com 11 palavras censuradas, uma prerrogativa também aceitável do Estado.
Mas o país pode recuar para a velha opacidade com que os políticos brasileiros costumam proteger suas biografias, funcionais ou não, e instituições se colocam acima da sociedade, caso o governo Dilma de fato aceite o inaceitável e acolha o veto dos ex-presidentes Fernando Collor e José Sarney, do Itamaraty e das Forças Armadas à nova lei.
Todos desejam manter o sigilo eterno. Trata-se de uma excrescência, inadequada a um país democrático. O que temem ex-presidentes, o Itamaraty e as Forças Armadas causar, ou enfrentar, quando seus arquivos forem abertos 50 anos depois de terem sido classificados e trancafiados?
A mais poderosa nação do planeta esperou apenas 36 anos para permitir consultas sobre uma guerra em que foram cometidas atrocidades capazes, é muito provável, de superar o que se esconde nos registros sobre a entrada de tropas brasileiras no Paraguai.
É a certeza de que terá informações sobre a sua gestão abertas à sociedade que ajuda a enquadrar os governantes no padrão mais adequado da ética. Realimenta a democracia americana, por exemplo, o fato de Sarah Palin ter de fornecer à imprensa, por força de lei, os e-mails despachados do seu gabinete quando era governadora do Alasca.
Caso o governo Dilma Rousseff se curve ao veto, será, também, de extrema incoerência com o que prega em relação aos arquivos dos porões da ditadura militar.
Quem defende a constituição da Comissão da Verdade, para familiares de mortos e desaparecidos nos
Anos de Chumbo saberem o destino dos parentes, não pode aceitar a perpetuação do sigilo eterno em informações do Estado. No mínimo, será cúmplice da censura de partes da História brasileira."
A matéria pode ser vista no seguinte link: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=386496&ch=n
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Liberar ou restringir? A problemática da legitimação da memória
Duas reportagens bem legais sobre a temática de abertura de arquivos foram veiculadas no jornal da Globo do dia 13 de junho. As matérias são essas:
"Documentos da época da ditadura estarão disponíveis na internet".
E
"Governo retira caráter de urgência da votação do projeto sobre acesso a dados públicos".
Dar acesso e negar acesso, essas são as temáticas das duas reportagens respectivamente. A primeira mostra como a memória de um povo, no caso o brasileiro, pode ser salva graças a pequenos atos que visam preservar parte da história do social. Mesmo que sejam fragmentos, tais relatos já nos servem de meio para pelo menos recontar parte da história. Não lembro ao certo, mas Baudrillard ou Benjamin nos fala que a reconstrução da história geralmente é quase perfeita, só não a é porque advém de fragmentos e esses nada mais são do que partes incompletas.
Porém, não contar com o todo é uma coisa, outra totalmente diferente é ter o todo e não poder ter acesso a ele, como é o caso do tema da segunda reportagem, na qual uma proposta do Senador e ex-Presidente José Sarney, visa classificar documentos como secretos durante o tempo que ele existir!
Parece absurdo, e é, como diz o Ancelmo Góis, parece-me algo como tortura misturado com humor negro, afinal, o que o (FDP) ilustre senador quer fazer é não nos dar acesso ao que por direito é nosso, a história e memória do Brasil e de suas instituições.
Já não basta a briga entorno dos arquivos da ditadura, se devem ou não ser liberados para consulta? E a questão, na minha visão, é bem política: como permitir acesso a documentos que provam que grandes autoridades brasileiras ainda vivas apoiaram o golpe ou ajudaram a matar milhares de pessoas? A conclusão que tiro é que só liberarão o acesso quando todos os envolvidos estiverem mortos e nenhum responsável possa mais ser julgado por seus atos. Nada mais cômodo do que construir, a seu modo, a história, sem que várias memórias conflitantes possam discordar, opinar, discutir, enfim, fazer o seu papel que é dar subsídios para a construção da história. E o que nos restará será, talvez, a idéia de Revolução e não de Golpe, ou seja, a história dos Oficiais...
Fiquemos atentos, pois, na minha visão, no mundo todo os países onde foram instauradas ditaduras foram atrás dos fatos reais, nem sempre oficiais, e os puniram aqueles que cometeram crimes, torturaram, mataram, roubaram, enfim, promoveram as maiores atrocidades. Foi assim com Pinochet no Chile, e por que não pode ser no Brasil? Ah, talvez seja porque somos um país sem memória...
PS: o texto acima é criação minha e eu assumo o que disse!
PS 2: O Arquivo Nacional tem um projeto interessante, o Memórias Reveladas, vale a pena conferir. Inclusive o lema do projeto é "Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça" - Frase brilhante essa!
"Documentos da época da ditadura estarão disponíveis na internet".
E
"Governo retira caráter de urgência da votação do projeto sobre acesso a dados públicos".
Dar acesso e negar acesso, essas são as temáticas das duas reportagens respectivamente. A primeira mostra como a memória de um povo, no caso o brasileiro, pode ser salva graças a pequenos atos que visam preservar parte da história do social. Mesmo que sejam fragmentos, tais relatos já nos servem de meio para pelo menos recontar parte da história. Não lembro ao certo, mas Baudrillard ou Benjamin nos fala que a reconstrução da história geralmente é quase perfeita, só não a é porque advém de fragmentos e esses nada mais são do que partes incompletas.
Porém, não contar com o todo é uma coisa, outra totalmente diferente é ter o todo e não poder ter acesso a ele, como é o caso do tema da segunda reportagem, na qual uma proposta do Senador e ex-Presidente José Sarney, visa classificar documentos como secretos durante o tempo que ele existir!
Parece absurdo, e é, como diz o Ancelmo Góis, parece-me algo como tortura misturado com humor negro, afinal, o que o (
Já não basta a briga entorno dos arquivos da ditadura, se devem ou não ser liberados para consulta? E a questão, na minha visão, é bem política: como permitir acesso a documentos que provam que grandes autoridades brasileiras ainda vivas apoiaram o golpe ou ajudaram a matar milhares de pessoas? A conclusão que tiro é que só liberarão o acesso quando todos os envolvidos estiverem mortos e nenhum responsável possa mais ser julgado por seus atos. Nada mais cômodo do que construir, a seu modo, a história, sem que várias memórias conflitantes possam discordar, opinar, discutir, enfim, fazer o seu papel que é dar subsídios para a construção da história. E o que nos restará será, talvez, a idéia de Revolução e não de Golpe, ou seja, a história dos Oficiais...
Fiquemos atentos, pois, na minha visão, no mundo todo os países onde foram instauradas ditaduras foram atrás dos fatos reais, nem sempre oficiais, e os puniram aqueles que cometeram crimes, torturaram, mataram, roubaram, enfim, promoveram as maiores atrocidades. Foi assim com Pinochet no Chile, e por que não pode ser no Brasil? Ah, talvez seja porque somos um país sem memória...
PS: o texto acima é criação minha e eu assumo o que disse!
PS 2: O Arquivo Nacional tem um projeto interessante, o Memórias Reveladas, vale a pena conferir. Inclusive o lema do projeto é "Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça" - Frase brilhante essa!
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Fahrenheit 451 [2]
Lembra quando comentei do filme Fahrenheit 451? Se não lembra confira clicando aqui.
Pois é, a editora Globo, lançou uma nova versão desse clássico, só que como Graphic Novel, a descrição da obra diz:
"Farenheit 451 é uma das maiores obras-primas de ficção científica de todos os tempos (ou seria, se se tratasse, de fato, de ficção científica). E ganha agora uma versão em quadrinhos de altíssimo nível gráfico por Tim Hamilton – autorizada e avalisada por Ray Bradbury na introdução. Além da qualidade gráfica, o texto, com a impactante narração do personagem principal, é diretamente calcado na novela original.
451 graus Farenheit, ou 233 graus Celsius, é a temperatura de combustão do papel comum. Logo, dos livros. E os livros são os instrumentos que “incendeiam” as ideias. A sociedade de Farenheit 451, porém, é uma sociedade que preza acima de tudo a paz.
O caminho da paz, para ela, passa por dois elementos fundamentais: um, material, o outro, espiritual. Materialmente, trata-se de suprir as necessidades básicas dos cidadãos. Nessa sociedade afluente e racional, todos vivem em casas confortáveis, vestem-se e se alimentam satisfatoriamente, têm empregos e contam, para se entreter, com úbiquas telas de TV, por onde participam interminavelmente de programas interativos (o livro foi escrito nos anos 1940, o que o torna terrivelmente premonitório). Mas a satisfação material não garante a paz social se houver insatisfação espiritual. Isto é, se existirem a imaginação, a fantasia, os questionamentos, as alternativas. Tudo aquilo de que os livros são depositários.
Os livros são, portanto, proibidos. Porém proibir os livros não elimina os já publicados. Para isso existem os bombeiros, agentes especializados em localizar livros escondidos e em queimá-los in loco (não há necessidade de agentes para combater incêndios, pois as casas, ao contrário das mentes, são agora a prova de fogo). Felizmente, bombeiros com lança-chamas não podem queimar a memória..."
Vi a matéria sobre na Folha e fui ao site da Editora Globo conferir!
PS: Quero comprar! =]
Pois é, a editora Globo, lançou uma nova versão desse clássico, só que como Graphic Novel, a descrição da obra diz:
"Farenheit 451 é uma das maiores obras-primas de ficção científica de todos os tempos (ou seria, se se tratasse, de fato, de ficção científica). E ganha agora uma versão em quadrinhos de altíssimo nível gráfico por Tim Hamilton – autorizada e avalisada por Ray Bradbury na introdução. Além da qualidade gráfica, o texto, com a impactante narração do personagem principal, é diretamente calcado na novela original.
451 graus Farenheit, ou 233 graus Celsius, é a temperatura de combustão do papel comum. Logo, dos livros. E os livros são os instrumentos que “incendeiam” as ideias. A sociedade de Farenheit 451, porém, é uma sociedade que preza acima de tudo a paz.
O caminho da paz, para ela, passa por dois elementos fundamentais: um, material, o outro, espiritual. Materialmente, trata-se de suprir as necessidades básicas dos cidadãos. Nessa sociedade afluente e racional, todos vivem em casas confortáveis, vestem-se e se alimentam satisfatoriamente, têm empregos e contam, para se entreter, com úbiquas telas de TV, por onde participam interminavelmente de programas interativos (o livro foi escrito nos anos 1940, o que o torna terrivelmente premonitório). Mas a satisfação material não garante a paz social se houver insatisfação espiritual. Isto é, se existirem a imaginação, a fantasia, os questionamentos, as alternativas. Tudo aquilo de que os livros são depositários.
Os livros são, portanto, proibidos. Porém proibir os livros não elimina os já publicados. Para isso existem os bombeiros, agentes especializados em localizar livros escondidos e em queimá-los in loco (não há necessidade de agentes para combater incêndios, pois as casas, ao contrário das mentes, são agora a prova de fogo). Felizmente, bombeiros com lança-chamas não podem queimar a memória..."
Vi a matéria sobre na Folha e fui ao site da Editora Globo conferir!
PS: Quero comprar! =]
terça-feira, 26 de abril de 2011
Fahrenheit 451
A temperatura em que o papel queima e o título de um ótimo filme (e livro)!
Fahrenheit 451, livro de Ray Bradbury, publicado em 1953, cujo filme foi lançado em 1966, narra a história de uma sociedade onde os livros são proibidos e qualquer opinião própria é duramente reprimida. Uma sociedade onde os bombeiros provocam incêndios ao atear fogo nos livros e são os expoentes da repressão, censurando toda e qualquer opinião formada pela pessoa e que não venha do meio de comunicação em massa mais popular da sociedade, a televisão.
O filme, um tanto surrealista, com um visual futurista, mas imaginado em 1966, soa meio que estranho... Mas não deixa a desejar. Veja alguns trechos:
Tal tema, destruição dos livros, é recorrente na história humana, desde a antiguidade, ainda com os rolos de papiro o meio mais eficiente de apagamento da memória de um povo é destruir toda a sua cultura, a começar, hoje, pelos livros, como foram os papiros, tábuas de argila e códices de ontem... Uma vez um professor indagou qual seriam um dos primeiros locais bombardeados em caso de uma guerra? A resposta, por mais estranha que possa soar, são biblioteca nacional, arquivo nacional e museu nacional - ou seus equivalentes -, pois são nesses locais de memória, que se preserva a cultura de um país ou um povo. E numa guerra, onde o objetivo é destruir o outro, nada mais "normal" do que destruir o inimigo e também exterminar a sua história, acabar com a sua memória... Não por acaso, o exército americano atingiu "sem querer" umas três vezes a Biblioteca Nacional do Iraque, destruindo ou deixando em pedaços a história de uma civilização de mais de 5 mil anos... As imagens dos saques aos bens culturais de Bagdá são emblemáticas e retratam bem o que quero dizer.
Outro marco iconográfico que pode ser interpretado da mesma maneira, é a derrubada da estátua de Sadam. Por mais que demonstre o poderio bélico americano, um símbolo de "quem manda", é, também, um símbolo do apagamento da memória que aquele monumento possa representar.
Se hoje os cientistas, historiadores, arqueólogos e outros lutam para entender o calendário Maia, é porque os colonizadores espanhóis foram extremamente eficientes no quesito "apagamento de memória", pois destruíram todos os meios de entendimento das culturas maia, inca e asteca - incluindo os seus livros... Se hoje temos um quebra-cabeça imenso, mais ou menos do tamanho da América Latina, grande parte se deve à intolerância dos espanhóis (e por que não, portugueses, já que os registros indígenas também foram destruídos).
Voltando aos livros e ao filme... Se você não quer saber o final dele, pare de ler aqui, caso contrário continue...
Tem certeza de que quer continuar???
OK, então!
No final do filme, Montag, a personagem principal da história, se refugia numa floresta, onde residem os chamados "Homens Livro", nela, cada habitante, deveria ler um livro, decorá-lo e depois... Queimá-lo... Ao decorar o livro, o homem assume como sua identidade o título do livro, sendo assim, John (inventei um nome qualquer...) se torna Cândido (obra de Voltaire), e assume o compromisso de repassá-lo para seus semelhantes. Sendo assim, o "Homem Livro" nada mais representa do que a resistência, a vontade de não esquecer, o lembrar e eternizar.
Para saber mais, temos o livro de Fernando Baez, "História universal da destruição dos livros: das tábuas sumérias à guerra do Iraque" e um que não lembro o título e que irei postar assim que lembrar... =]
Fahrenheit 451, livro de Ray Bradbury, publicado em 1953, cujo filme foi lançado em 1966, narra a história de uma sociedade onde os livros são proibidos e qualquer opinião própria é duramente reprimida. Uma sociedade onde os bombeiros provocam incêndios ao atear fogo nos livros e são os expoentes da repressão, censurando toda e qualquer opinião formada pela pessoa e que não venha do meio de comunicação em massa mais popular da sociedade, a televisão.
O filme, um tanto surrealista, com um visual futurista, mas imaginado em 1966, soa meio que estranho... Mas não deixa a desejar. Veja alguns trechos:
Tal tema, destruição dos livros, é recorrente na história humana, desde a antiguidade, ainda com os rolos de papiro o meio mais eficiente de apagamento da memória de um povo é destruir toda a sua cultura, a começar, hoje, pelos livros, como foram os papiros, tábuas de argila e códices de ontem... Uma vez um professor indagou qual seriam um dos primeiros locais bombardeados em caso de uma guerra? A resposta, por mais estranha que possa soar, são biblioteca nacional, arquivo nacional e museu nacional - ou seus equivalentes -, pois são nesses locais de memória, que se preserva a cultura de um país ou um povo. E numa guerra, onde o objetivo é destruir o outro, nada mais "normal" do que destruir o inimigo e também exterminar a sua história, acabar com a sua memória... Não por acaso, o exército americano atingiu "sem querer" umas três vezes a Biblioteca Nacional do Iraque, destruindo ou deixando em pedaços a história de uma civilização de mais de 5 mil anos... As imagens dos saques aos bens culturais de Bagdá são emblemáticas e retratam bem o que quero dizer.
Outro marco iconográfico que pode ser interpretado da mesma maneira, é a derrubada da estátua de Sadam. Por mais que demonstre o poderio bélico americano, um símbolo de "quem manda", é, também, um símbolo do apagamento da memória que aquele monumento possa representar.
Se hoje os cientistas, historiadores, arqueólogos e outros lutam para entender o calendário Maia, é porque os colonizadores espanhóis foram extremamente eficientes no quesito "apagamento de memória", pois destruíram todos os meios de entendimento das culturas maia, inca e asteca - incluindo os seus livros... Se hoje temos um quebra-cabeça imenso, mais ou menos do tamanho da América Latina, grande parte se deve à intolerância dos espanhóis (e por que não, portugueses, já que os registros indígenas também foram destruídos).
Voltando aos livros e ao filme... Se você não quer saber o final dele, pare de ler aqui, caso contrário continue...
Tem certeza de que quer continuar???
OK, então!
No final do filme, Montag, a personagem principal da história, se refugia numa floresta, onde residem os chamados "Homens Livro", nela, cada habitante, deveria ler um livro, decorá-lo e depois... Queimá-lo... Ao decorar o livro, o homem assume como sua identidade o título do livro, sendo assim, John (
Para saber mais, temos o livro de Fernando Baez, "História universal da destruição dos livros: das tábuas sumérias à guerra do Iraque" e um que não lembro o título e que irei postar assim que lembrar... =]
sábado, 23 de abril de 2011
Coleções
Bom, esse é um tema que muito me interessa... Aliás, esse foi o tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), vulgo monografia.
As Coleções em linhas gerais, surgem do desejo humano de guarda e perpetuação. Apesar de serem mais comuns na nossa infância, ainda deixam vestígios no mundo adulto. Se antes colecionávamos Cavaleiros do Zodíaco, hoje colecionamos jogos do PS 3...
Se antes as meninas colecionavam papel de carta, hoje elas colecionam perfumes...
Mas cientificamente, as coleções têm uma valor inestimado e são objetos de inúmeros estudos, pois são delas que surgem as grandes bibliotecas e museus. Quem nunca ouviu falar que a Coleção tal está no Museus do Louvre? Ou que os as fotos de D. Pedro II estão na Biblioteca Nacional?
Em linhas gerais, as coleções surgem dos gabinetes de curiosidades, sediados em sua maioria na Europa. Neles, grandes apreciadores de artes e nobres, juntavam em seu "acervo" coisas curiosas ou fantásticas dos novos mundos que se abriram após as navegações e antes delas com o contato com árabes e chineses.
Você sabia, por exemplo, que o zoológico surgiu de uma coleção? Animais "fantásticos" eram levados para a Europa afim de ficarem expostos como uma prova do misterioso mundo além mar ou montanhas. Função essa, que permanece até hoje, mas envolta em menos misticismo... Quer dizer, se não vamos até o "fantástico", ele vem até nós!
Colecionar coisas, segundo os teóricos é como ter em cada objeto da coleção uma espécie de máquina do tempo, que nos faz viajar ao passado e dele voltar em segurança. São, portanto, pontes entre o visível e o invisível, o passado e o presente - fala essa de Krzysztof Pomian, que juntamente com Walter Benjamin tem obras que tratam do Colecionismo. Outros, como Jean Baudrillard falam da função do objeto e de como ele tem valor sentimental para o colecionador.
Quem nunca pegou aquele brinquedo velho e surrado, que mesmo inconscientemente deixamos em nossa casa e nos lembramos dos bons momentos vividos "com ele" ? Não estou dizendo que qualquer coisa pode ser coleção, mas se te traz alguma recordação, por que esse objeto não pode fazer parte da sua coleção de sentimentos? Brega, né? Mas por quê fotografamos? Para eternizar momentos... Mesmo motivo pelo qual guardamos tranqueiras em nossos armários e estantes, seu valor sentimental, na maioria das vezes, supera o valor monetário e aí tá a graça de colecionar ou juntar, como queiram, o sentido do que temos vai variar de como olhamos para aquele objeto, do que ele significa e do ele nos faz lembrar - geralmente destruímos o que nos traz dor e encapsulamos o que nos traz alegria...
Colecionar, aquele ato infantil e bobo, significa mais do que podemos perceber e nos leva ao que desejamos rememorar...
PS: Como me odeio por ter jogado o meu álbum dos Cavaleiros do Zodíaco no lixo! =/
As Coleções em linhas gerais, surgem do desejo humano de guarda e perpetuação. Apesar de serem mais comuns na nossa infância, ainda deixam vestígios no mundo adulto. Se antes colecionávamos Cavaleiros do Zodíaco, hoje colecionamos jogos do PS 3...
Se antes as meninas colecionavam papel de carta, hoje elas colecionam perfumes...
Mas cientificamente, as coleções têm uma valor inestimado e são objetos de inúmeros estudos, pois são delas que surgem as grandes bibliotecas e museus. Quem nunca ouviu falar que a Coleção tal está no Museus do Louvre? Ou que os as fotos de D. Pedro II estão na Biblioteca Nacional?
Em linhas gerais, as coleções surgem dos gabinetes de curiosidades, sediados em sua maioria na Europa. Neles, grandes apreciadores de artes e nobres, juntavam em seu "acervo" coisas curiosas ou fantásticas dos novos mundos que se abriram após as navegações e antes delas com o contato com árabes e chineses.
Você sabia, por exemplo, que o zoológico surgiu de uma coleção? Animais "fantásticos" eram levados para a Europa afim de ficarem expostos como uma prova do misterioso mundo além mar ou montanhas. Função essa, que permanece até hoje, mas envolta em menos misticismo... Quer dizer, se não vamos até o "fantástico", ele vem até nós!
Colecionar coisas, segundo os teóricos é como ter em cada objeto da coleção uma espécie de máquina do tempo, que nos faz viajar ao passado e dele voltar em segurança. São, portanto, pontes entre o visível e o invisível, o passado e o presente - fala essa de Krzysztof Pomian, que juntamente com Walter Benjamin tem obras que tratam do Colecionismo. Outros, como Jean Baudrillard falam da função do objeto e de como ele tem valor sentimental para o colecionador.
Quem nunca pegou aquele brinquedo velho e surrado, que mesmo inconscientemente deixamos em nossa casa e nos lembramos dos bons momentos vividos "com ele" ? Não estou dizendo que qualquer coisa pode ser coleção, mas se te traz alguma recordação, por que esse objeto não pode fazer parte da sua coleção de sentimentos? Brega, né? Mas por quê fotografamos? Para eternizar momentos... Mesmo motivo pelo qual guardamos tranqueiras em nossos armários e estantes, seu valor sentimental, na maioria das vezes, supera o valor monetário e aí tá a graça de colecionar ou juntar, como queiram, o sentido do que temos vai variar de como olhamos para aquele objeto, do que ele significa e do ele nos faz lembrar - geralmente destruímos o que nos traz dor e encapsulamos o que nos traz alegria...
Colecionar, aquele ato infantil e bobo, significa mais do que podemos perceber e nos leva ao que desejamos rememorar...
PS: Como me odeio por ter jogado o meu álbum dos Cavaleiros do Zodíaco no lixo! =/
quinta-feira, 21 de abril de 2011
"Sua vida trouxe você até aqui..."
Se tem um comercial que eu gosto (e já é bem velhinho) é o do, na época, Novo Prisma - carro da Chevrolet.
Nele um jovem vai caminhando até se deparar com o carro e um narrador falar: "Sua vida trouxe você até aqui...". Vejam:
Mas por quê gosto tanto desse comercial?
Bom, no percurso até o carro, o cara vai revendo diversos personagens da vida dele, que fizeram parte de sua história, desde filmes que ele viu até as namoradas que teve. Num contexto de estudos da memória e identidade, esse comercial, com cerca de 1 minuto, serve para explicar a base de pensamento dessas duas disciplinas. Sendo assim, na minha visão, somos resultado daquilo que vivemos ao longo de nossa vida e a situação na qual nos encontramos, geralmente, é fruto de escolhas e experiências.
Doistextos livros dão uma base legal para entender isso, são eles: Identidades culturais na pós-modernidade, de Stuart Hall, e A Memória Coletiva, de Maurice Halbwachs.
O primeiro trata da construção e percepção da identidade na pós-modernidade, ou simplesmente, hoje. Já o segundo fala de como se dá a construção da memória no ser social e da sociedade na qual ele vive.
Se quiserem ler, eu recomendo, e podem me chamar para discuti-los. rsrsrsrrs
Mas o fantástico mesmo, nos dois livros, é poder entender o que significa sua vida te trazer até aqui...
PS: Que post louco!
Nele um jovem vai caminhando até se deparar com o carro e um narrador falar: "Sua vida trouxe você até aqui...". Vejam:
Mas por quê gosto tanto desse comercial?
Bom, no percurso até o carro, o cara vai revendo diversos personagens da vida dele, que fizeram parte de sua história, desde filmes que ele viu até as namoradas que teve. Num contexto de estudos da memória e identidade, esse comercial, com cerca de 1 minuto, serve para explicar a base de pensamento dessas duas disciplinas. Sendo assim, na minha visão, somos resultado daquilo que vivemos ao longo de nossa vida e a situação na qual nos encontramos, geralmente, é fruto de escolhas e experiências.
Dois
O primeiro trata da construção e percepção da identidade na pós-modernidade, ou simplesmente, hoje. Já o segundo fala de como se dá a construção da memória no ser social e da sociedade na qual ele vive.
Se quiserem ler, eu recomendo, e podem me chamar para discuti-los. rsrsrsrrs
Mas o fantástico mesmo, nos dois livros, é poder entender o que significa sua vida te trazer até aqui...
PS: Que post louco!
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