Não preciso escrever nada, apenas peço que se deliciem...
Pretende discutir assuntos relacionados à Bibliotecas, Arquivos, Museus, História, Memória e futilidades que valem a pena. Não espere nada muito científico, mas também não espere algo microbiano...
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Bibliotecas e cemitérios
Estranho o título do post, não???
Por que afinal resolvi fazer um post com esse título? Bom, tenho feito muitas leituras, principalmente em função da dissertação. Hoje, estava lendo o livro "O poder das Bibliotecas" e me deparei com a informação de que algumas bibliotecas, até o advento bibliográfico do século XVII, organizavam suas coleções de acordo com os antigos proprietários desta, mantendo sua integridade bibliográfica (no sentido amplo e não restrito apenas a livros). Fiquei mais interessando ainda pelo texto quando achei a citação de uma lei chamada de "Lei da boa vizinhança", somente citada por um autor, que não me recordo qual. De imediato lembrei-me de algumas brincadeiras que fazia em conjunto com outros estagiários quando trabalhávamos na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, onde as coleções são ordenadas de acordo com a sua origem, ou como chamam os arquivistas, procedência. Assim, a Coleção do Lima Barreto, reúne a documentação que pertenceu ao escritor, bem como a de Martins Pena, Gustavo Corção etc.
Porém, sempre fazíamos uma ressalva, que algumas coleções não podiam ficar ao lado de outras, pois tais personalidades eram desafetos na vida pública, claro que falávamos em tom jocoso, até mesmo pelas localização dos itens já estarem consagradas há décadas. Enfim, mesmo que não no mesmo sentido utilizado no texto, buscávamos fazer valer a "Lei da boa vizinhança".
Voltando à situação dos acervos serem organizados de acordo com a sua procedência, o mesmo texto menciona que a partir do advento Bibliográfico, a classificação foi largamente implementada e tal organização caiu em desuso.
Por incrível que pareça, a representação que me veio a mente foi a de um cemitério, sobretudo, ao lembrar-me de uma igreja na República Tcheca, que tem sua decoração feita a partir de osso humanos. A Igreja da cidade de Kutná Hora (http://www.kostnice.cz/).
A história diz que durante umas das muitas pestes e guerras enfrentadas pela Europa, não havia mais locais no cemitério para enterrar mais corpos, então os que já estavam lá há anos ou séculos foram exumados e guardados na igreja que fica ao centro do cemitério. Alguns anos depois a decoração de toda a igreja, incluindo o mobiliário foi feita com os ossos dos exumados.
Tá, mas o que isso tem a ver com livros? Bom, vamos viajar um pouco: as coleções, quando ordenadas de acordo com a ordem dada por seu antigo custodiador constitui-se no seu corpo, numa analogia com os cemitério. Com o advento das Bibliografias, várias dessas coleções foram desmembradas, bem como os ossos das igrejas e reordenadas sob novos critérios, bem como, de novo, os ossos... Assim, novas configurações foram dadas aos itens colecionados, sejam por Igrejas, Cemitérios ou Bibliotecas.
Considerei legal compartilhar com vocês essa viagem sóbria, já que como defensor da totalidade das coleções (porém, não cego, pois sei das dificuldades que permanecer a íntegra das coleções acarreta, entretanto, não entrarei no mérito). Creio que daí evoluem os estudos sobre biblioteca, informação, arquivos, acervos, museus, das viagens com os pés no chão que realizamos. E uma curiosidade é que os cemitérios são ótimos locais para se começarem as pesquisas...
PS: Nenhuma droga, bebida ou derivados foi utilizada durante a leitura ou construção do texto.
PS 2: o texto pode ter certas incoerências pois o cansaço aflige a mente do ser que vos escreve.
Por que afinal resolvi fazer um post com esse título? Bom, tenho feito muitas leituras, principalmente em função da dissertação. Hoje, estava lendo o livro "O poder das Bibliotecas" e me deparei com a informação de que algumas bibliotecas, até o advento bibliográfico do século XVII, organizavam suas coleções de acordo com os antigos proprietários desta, mantendo sua integridade bibliográfica (no sentido amplo e não restrito apenas a livros). Fiquei mais interessando ainda pelo texto quando achei a citação de uma lei chamada de "Lei da boa vizinhança", somente citada por um autor, que não me recordo qual. De imediato lembrei-me de algumas brincadeiras que fazia em conjunto com outros estagiários quando trabalhávamos na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, onde as coleções são ordenadas de acordo com a sua origem, ou como chamam os arquivistas, procedência. Assim, a Coleção do Lima Barreto, reúne a documentação que pertenceu ao escritor, bem como a de Martins Pena, Gustavo Corção etc.
Porém, sempre fazíamos uma ressalva, que algumas coleções não podiam ficar ao lado de outras, pois tais personalidades eram desafetos na vida pública, claro que falávamos em tom jocoso, até mesmo pelas localização dos itens já estarem consagradas há décadas. Enfim, mesmo que não no mesmo sentido utilizado no texto, buscávamos fazer valer a "Lei da boa vizinhança".
Voltando à situação dos acervos serem organizados de acordo com a sua procedência, o mesmo texto menciona que a partir do advento Bibliográfico, a classificação foi largamente implementada e tal organização caiu em desuso.
Por incrível que pareça, a representação que me veio a mente foi a de um cemitério, sobretudo, ao lembrar-me de uma igreja na República Tcheca, que tem sua decoração feita a partir de osso humanos. A Igreja da cidade de Kutná Hora (http://www.kostnice.cz/).
A história diz que durante umas das muitas pestes e guerras enfrentadas pela Europa, não havia mais locais no cemitério para enterrar mais corpos, então os que já estavam lá há anos ou séculos foram exumados e guardados na igreja que fica ao centro do cemitério. Alguns anos depois a decoração de toda a igreja, incluindo o mobiliário foi feita com os ossos dos exumados.
Tá, mas o que isso tem a ver com livros? Bom, vamos viajar um pouco: as coleções, quando ordenadas de acordo com a ordem dada por seu antigo custodiador constitui-se no seu corpo, numa analogia com os cemitério. Com o advento das Bibliografias, várias dessas coleções foram desmembradas, bem como os ossos das igrejas e reordenadas sob novos critérios, bem como, de novo, os ossos... Assim, novas configurações foram dadas aos itens colecionados, sejam por Igrejas, Cemitérios ou Bibliotecas.
Considerei legal compartilhar com vocês essa viagem sóbria, já que como defensor da totalidade das coleções (porém, não cego, pois sei das dificuldades que permanecer a íntegra das coleções acarreta, entretanto, não entrarei no mérito). Creio que daí evoluem os estudos sobre biblioteca, informação, arquivos, acervos, museus, das viagens com os pés no chão que realizamos. E uma curiosidade é que os cemitérios são ótimos locais para se começarem as pesquisas...
PS: Nenhuma droga, bebida ou derivados foi utilizada durante a leitura ou construção do texto.
PS 2: o texto pode ter certas incoerências pois o cansaço aflige a mente do ser que vos escreve.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Bibliotecas ou depósitos?
Volta e meia nos deparamos com notícias desoladoras sobre acervos achados em meio à escombros, livros raros jogados fora ou destruídos pelo descaso etc.
Ao que parece nós, brasileiros, não ligamos muito para as bibliotecas e à elas atribuímos pouco valor.
Ontem fiquei sabendo, por meio de conversas informais, que a Biblioteca Luiz Viana Filho ou apenas, Biblioteca do Senado terá a sua atual sede no Anexo II do Senado, em Brasília, mudada para um galpão num ponto mais distante - a transferência só não foi confirmada ainda porque um senador pediu vistas ao processo de transferência, creio que por considerar a situação absurda...
A biblioteca do Senado é uma das mais antigas e importantes do país, sua missão é se tornar referência mundial na Biblioteconomia Legislativa e dar suporte às necessidades informacionais dos nossos legisladores. Sua fundação se deu em 1826 e desde então viu sua coleção ser enriquecida por várias doações e aquisição de obras raras e importantes para a memória nacional, após a inauguração de Brasília, deixa para trás o Palácio Monroe no Rio, e vai o Palácio do Congresso, até chegar ao Anexo II.
Ao tirar a biblioteca do Anexo II, a direção já tem ciência de que o cidadão que não trabalha no senado não poderá mais ter acesso às obras que compõem o seu acervo, ou seja, tal fato acarretará que a missão principal da biblioteca, que é de disseminar a informação à todos, não será mais cumprida, ficando seu rico e vasto acervo restrito aos funcionários do Senado e nossos legisladores...
A questão aí, parece ser maior do que realmente parece e tem relação direta com o universo Biblioteconômico, afinal, é responsabilidade de nós, bibliotecários, zelarmos pelas bibliotecas. Porém, o cenário que vemos é seguinte - claro que com algumas exceções.
O Bibliotecário é aquele profissional estigmatizado pelo óculos, roupa fora da moda, cabelo desgrenhado, solteiro, dono de um bicho (geralmente um gato), que adora livros e... Do sexo feminino. Creio que poucos de nós se encaixaram nesse perfil(eu tenho o gato e sou solteiro... M-E-D-O), mas é assim que a sociedade vê os bibliotecários e mais, as bibliotecas são vistas como depósitos de coisas velhas, um local para o castigo e para colocar os incapacitados mentalmente ou fisicamente de continuar suas atividades (vide professores), a biblioteca é o local da poeira, das pessoas chatas, de nerds e coisas retrôs, tipo máquinas de escrever, carimbos e antigos fichários...
Mas será que essa é nossa realidade atual? Creio que não, mas por que nossos chefes, administradores, gestores, enfim, continuam a pensar assim?
Pode ser impressão minha, mas creio que seja porque nós, bibliotecários, não nos impomos como aquele capaz de levar qualquer um à informação que deseja. Nos satisfazemos em ser citados nas páginas de agradecimentos, quando na verdade deveríamos também fazer parte das páginas de referência! Temos que defender "nossas" bibliotecas com unhas, dentes, livros e poeira! Afinal, fomos preparados para saber o que de melhor uma biblioteca pode oferecer, desenvolver suas potencialidades, criar produtos e serviços e integrar as bibliotecas ao conceito tecnológico do século XXI.
Será que nossas bibliotecas não estão da forma que estão porque não nos empenhamos em defendê-las? Na maioria das vezes temos medo do que um enfrentamento pode representar, mas acho que devemos ao menos tentar.
Eu tentei defender a minha biblioteca, reafirmei perante todos o meu juramento: "Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana" e assim briguei e continuarei brigando para fazer uma Biblioteconomia melhor e mais ativa, afinal... É uma verdade que me orgulho de ser Bibliotecário e isso vale muito, mas muito mesmo!
Ao que parece nós, brasileiros, não ligamos muito para as bibliotecas e à elas atribuímos pouco valor.
Ontem fiquei sabendo, por meio de conversas informais, que a Biblioteca Luiz Viana Filho ou apenas, Biblioteca do Senado terá a sua atual sede no Anexo II do Senado, em Brasília, mudada para um galpão num ponto mais distante - a transferência só não foi confirmada ainda porque um senador pediu vistas ao processo de transferência, creio que por considerar a situação absurda...
A biblioteca do Senado é uma das mais antigas e importantes do país, sua missão é se tornar referência mundial na Biblioteconomia Legislativa e dar suporte às necessidades informacionais dos nossos legisladores. Sua fundação se deu em 1826 e desde então viu sua coleção ser enriquecida por várias doações e aquisição de obras raras e importantes para a memória nacional, após a inauguração de Brasília, deixa para trás o Palácio Monroe no Rio, e vai o Palácio do Congresso, até chegar ao Anexo II.
Ao tirar a biblioteca do Anexo II, a direção já tem ciência de que o cidadão que não trabalha no senado não poderá mais ter acesso às obras que compõem o seu acervo, ou seja, tal fato acarretará que a missão principal da biblioteca, que é de disseminar a informação à todos, não será mais cumprida, ficando seu rico e vasto acervo restrito aos funcionários do Senado e nossos legisladores...
A questão aí, parece ser maior do que realmente parece e tem relação direta com o universo Biblioteconômico, afinal, é responsabilidade de nós, bibliotecários, zelarmos pelas bibliotecas. Porém, o cenário que vemos é seguinte - claro que com algumas exceções.
O Bibliotecário é aquele profissional estigmatizado pelo óculos, roupa fora da moda, cabelo desgrenhado, solteiro, dono de um bicho (geralmente um gato), que adora livros e... Do sexo feminino. Creio que poucos de nós se encaixaram nesse perfil
Mas será que essa é nossa realidade atual? Creio que não, mas por que nossos chefes, administradores, gestores, enfim, continuam a pensar assim?
Pode ser impressão minha, mas creio que seja porque nós, bibliotecários, não nos impomos como aquele capaz de levar qualquer um à informação que deseja. Nos satisfazemos em ser citados nas páginas de agradecimentos, quando na verdade deveríamos também fazer parte das páginas de referência! Temos que defender "nossas" bibliotecas com unhas, dentes, livros e poeira! Afinal, fomos preparados para saber o que de melhor uma biblioteca pode oferecer, desenvolver suas potencialidades, criar produtos e serviços e integrar as bibliotecas ao conceito tecnológico do século XXI.
Será que nossas bibliotecas não estão da forma que estão porque não nos empenhamos em defendê-las? Na maioria das vezes temos medo do que um enfrentamento pode representar, mas acho que devemos ao menos tentar.
Eu tentei defender a minha biblioteca, reafirmei perante todos o meu juramento: "Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana" e assim briguei e continuarei brigando para fazer uma Biblioteconomia melhor e mais ativa, afinal... É uma verdade que me orgulho de ser Bibliotecário e isso vale muito, mas muito mesmo!
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Registros do Conhecimento - o Livro
O LIVRO[1]
Livro, do latim Liber, é, modernamente, uma reunião de cadernos de papel, com textos tipograficamente impressos, costurados entre si e brochados ou encadernados. O livro é, em suma, um conjunto de elementos de comunicação gráfica que contém idéias, descrições ou referências a vários assuntos com o propósito de divulgar informações ou preservar o registro de fatos de qualquer natureza. Acredita-se que liber em latim, primitivamente significava a casca de certos vegetais que se apresentavam de forma laminada. Embora remota, a origem do conceito não antecede a invenção pelo homem da representação gráfica das idéias, isto é, da escrita. Não somente as cascas das árvores, mas também a pedra, o bronze, as tábuas de madeira, a placa de argila foram utilizadas no passado remoto como materiais para o livro. Em todas as civilizações com literatura escrita, o livro sempre foi instrumento fundamental para a difusão e preservação da cultura.[2]
A história do livro começa juntamente, como vimos acima, com a invenção da escrita (mais ou menos do século IV a. C.), mas ainda não da forma como conhecemos. Os primeiros registros do conhecimento que tiveram como meio de expressão a escrita foram talhados em tábuas de argila na antiga Mesopotâmia, porém apenas alguns desses registros chegou ao nosso tempo e hoje estão expostos em museus ao redor do mundo.
Contudo, em conjunto com a sociedade, os registros do conhecimento só se aperfeiçoaram, passando pela escrita em pergaminho, no Egito, onde um tipo de papel sensível feito a partir da planta de mesmo nome e muito comum no Vale do Nilo era usada para fazer papel. Este era em forma de rolo, não existindo a divisão por páginas.
Alguns séculos depois, foi a vez do pergaminho se popularizar, e foi aí que o livro ganhou o formato no qual o conhecemos, chamado códice, que consiste numa série de folhas cortadas ou dobradas entre duas capas de couro ou madeira. O pergaminho origina-se do uso do couro de diversos animais para a confecção de um papel de excelente qualidade e resistência.
Porém todos os processos acima descritos referem-se ao livro Manuscrito – livro criado artesanalmente e escrito e ornamentado a mão. Os monges copistas eram os grandes disseminadores de tal formato, porém, a capacidade de reprodução dos livros era baixa, e a produção bibliográfica idem, tendo em vista o tempo que demanda escrever ou copiar inúmeras páginas, além do trabalho de ornamentação das páginas.
Porém, no século XV, Johannes Gutenberg[3] cria a prensa de tipos móveis, que veio facilitar a criação de reprodução dos livros. Com tal advento a velocidade com que os textos eram produzidos e reproduzidos diminui significativamente, e o livro passa a se difundir mais na sociedade. No seu início a imprensa ainda utilizava-se de alguns processos artesanais, como o de ornamentação, mas só o fato de a escrita a mão não fazer mais parte do processo reduziu significativamente o tempo de criação do livro.
Com o caminhar dos séculos, os livros também foram se aperfeiçoando, e o pergaminho, papel caro e que demandava muito tempo para confecção e acabamento, acabou substituído pelo papel vegetal, menos duradouro, porém mais barato. O que tornou o livro acessível não só para as famílias mais abastadas – visto que o livro era muito mais caro do que é hoje, um objeto só para os mais ricos.
Hoje, debate-se em todo o mundo e até proclama-se o fim do livro em pape graças ao advento dos e-books. Porém, apesar das previsões desastrosas sobre o futuro do livro, hoje é certo que ele só está mais consolidado em nossa sociedade, em função também da diminuição do número de analfabetos ao redor do mundo e o preço mais acessível.
A BIBLIOTECA
Tradicionalmente a Biblioteca é o local de guarda dos livros, quase toda pessoa tem em sua casa uma biblioteca, seja ela mini ou gigantesca.
Desde sempre as bibliotecas e os livros e demais registros do conhecimento nãos e desgrudaram. Tanto que o nome Biblioteca deriva do grego e significa Caixa de Livros ou Depósito de Livros.
Tradicional lugar de guarda e perpetuação da memória foi graças às diversas bibliotecas no mundo que a os registros mais antigos do conhecimento humano chegaram até nós e por isso hoje podemos saber que existiram tábuas de argila que foram os primeiros “livros”.
Nos registros guardados pelas bibliotecas ao longo dos séculos é possível encontrar informações sobre povos e civilizações que não mais existem. Assim, a importância da biblioteca, além de fornecer acesso aos suportes do conhecimento, tais como livros, é fazer com que as informações que hoje se encontram nesses suportes alcancem mais e mais gerações e atravessem o maior número de séculos possíveis.
[1] Adaptado do projeto de exposição na escola na qual trabalho.
[2] Adaptado de Barsa (vol. 9) e Mirador (vol. 13).
[3] Não se sabe ao certo se Gutenberg criou realmente a máquina ou a adaptou de outras semelhantes, como a Chinesa e a Holandesa, porém, foi consagrado que a autoria da prensa de tipos móveis seria dele.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Fahrenheit 451
A temperatura em que o papel queima e o título de um ótimo filme (e livro)!
Fahrenheit 451, livro de Ray Bradbury, publicado em 1953, cujo filme foi lançado em 1966, narra a história de uma sociedade onde os livros são proibidos e qualquer opinião própria é duramente reprimida. Uma sociedade onde os bombeiros provocam incêndios ao atear fogo nos livros e são os expoentes da repressão, censurando toda e qualquer opinião formada pela pessoa e que não venha do meio de comunicação em massa mais popular da sociedade, a televisão.
O filme, um tanto surrealista, com um visual futurista, mas imaginado em 1966, soa meio que estranho... Mas não deixa a desejar. Veja alguns trechos:
Tal tema, destruição dos livros, é recorrente na história humana, desde a antiguidade, ainda com os rolos de papiro o meio mais eficiente de apagamento da memória de um povo é destruir toda a sua cultura, a começar, hoje, pelos livros, como foram os papiros, tábuas de argila e códices de ontem... Uma vez um professor indagou qual seriam um dos primeiros locais bombardeados em caso de uma guerra? A resposta, por mais estranha que possa soar, são biblioteca nacional, arquivo nacional e museu nacional - ou seus equivalentes -, pois são nesses locais de memória, que se preserva a cultura de um país ou um povo. E numa guerra, onde o objetivo é destruir o outro, nada mais "normal" do que destruir o inimigo e também exterminar a sua história, acabar com a sua memória... Não por acaso, o exército americano atingiu "sem querer" umas três vezes a Biblioteca Nacional do Iraque, destruindo ou deixando em pedaços a história de uma civilização de mais de 5 mil anos... As imagens dos saques aos bens culturais de Bagdá são emblemáticas e retratam bem o que quero dizer.
Outro marco iconográfico que pode ser interpretado da mesma maneira, é a derrubada da estátua de Sadam. Por mais que demonstre o poderio bélico americano, um símbolo de "quem manda", é, também, um símbolo do apagamento da memória que aquele monumento possa representar.
Se hoje os cientistas, historiadores, arqueólogos e outros lutam para entender o calendário Maia, é porque os colonizadores espanhóis foram extremamente eficientes no quesito "apagamento de memória", pois destruíram todos os meios de entendimento das culturas maia, inca e asteca - incluindo os seus livros... Se hoje temos um quebra-cabeça imenso, mais ou menos do tamanho da América Latina, grande parte se deve à intolerância dos espanhóis (e por que não, portugueses, já que os registros indígenas também foram destruídos).
Voltando aos livros e ao filme... Se você não quer saber o final dele, pare de ler aqui, caso contrário continue...
Tem certeza de que quer continuar???
OK, então!
No final do filme, Montag, a personagem principal da história, se refugia numa floresta, onde residem os chamados "Homens Livro", nela, cada habitante, deveria ler um livro, decorá-lo e depois... Queimá-lo... Ao decorar o livro, o homem assume como sua identidade o título do livro, sendo assim, John (inventei um nome qualquer...) se torna Cândido (obra de Voltaire), e assume o compromisso de repassá-lo para seus semelhantes. Sendo assim, o "Homem Livro" nada mais representa do que a resistência, a vontade de não esquecer, o lembrar e eternizar.
Para saber mais, temos o livro de Fernando Baez, "História universal da destruição dos livros: das tábuas sumérias à guerra do Iraque" e um que não lembro o título e que irei postar assim que lembrar... =]
Fahrenheit 451, livro de Ray Bradbury, publicado em 1953, cujo filme foi lançado em 1966, narra a história de uma sociedade onde os livros são proibidos e qualquer opinião própria é duramente reprimida. Uma sociedade onde os bombeiros provocam incêndios ao atear fogo nos livros e são os expoentes da repressão, censurando toda e qualquer opinião formada pela pessoa e que não venha do meio de comunicação em massa mais popular da sociedade, a televisão.
O filme, um tanto surrealista, com um visual futurista, mas imaginado em 1966, soa meio que estranho... Mas não deixa a desejar. Veja alguns trechos:
Tal tema, destruição dos livros, é recorrente na história humana, desde a antiguidade, ainda com os rolos de papiro o meio mais eficiente de apagamento da memória de um povo é destruir toda a sua cultura, a começar, hoje, pelos livros, como foram os papiros, tábuas de argila e códices de ontem... Uma vez um professor indagou qual seriam um dos primeiros locais bombardeados em caso de uma guerra? A resposta, por mais estranha que possa soar, são biblioteca nacional, arquivo nacional e museu nacional - ou seus equivalentes -, pois são nesses locais de memória, que se preserva a cultura de um país ou um povo. E numa guerra, onde o objetivo é destruir o outro, nada mais "normal" do que destruir o inimigo e também exterminar a sua história, acabar com a sua memória... Não por acaso, o exército americano atingiu "sem querer" umas três vezes a Biblioteca Nacional do Iraque, destruindo ou deixando em pedaços a história de uma civilização de mais de 5 mil anos... As imagens dos saques aos bens culturais de Bagdá são emblemáticas e retratam bem o que quero dizer.
Outro marco iconográfico que pode ser interpretado da mesma maneira, é a derrubada da estátua de Sadam. Por mais que demonstre o poderio bélico americano, um símbolo de "quem manda", é, também, um símbolo do apagamento da memória que aquele monumento possa representar.
Se hoje os cientistas, historiadores, arqueólogos e outros lutam para entender o calendário Maia, é porque os colonizadores espanhóis foram extremamente eficientes no quesito "apagamento de memória", pois destruíram todos os meios de entendimento das culturas maia, inca e asteca - incluindo os seus livros... Se hoje temos um quebra-cabeça imenso, mais ou menos do tamanho da América Latina, grande parte se deve à intolerância dos espanhóis (e por que não, portugueses, já que os registros indígenas também foram destruídos).
Voltando aos livros e ao filme... Se você não quer saber o final dele, pare de ler aqui, caso contrário continue...
Tem certeza de que quer continuar???
OK, então!
No final do filme, Montag, a personagem principal da história, se refugia numa floresta, onde residem os chamados "Homens Livro", nela, cada habitante, deveria ler um livro, decorá-lo e depois... Queimá-lo... Ao decorar o livro, o homem assume como sua identidade o título do livro, sendo assim, John (
Para saber mais, temos o livro de Fernando Baez, "História universal da destruição dos livros: das tábuas sumérias à guerra do Iraque" e um que não lembro o título e que irei postar assim que lembrar... =]
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Estante
Estava de bobeira na internet e achei um modelo de estante muito curioso...
Num mundo onde os espaços são cada vez mais valorizados e achar algum espaço em casa é privilégio, a idéia vale a pena e é bem interessante, além de ser esteticamente muito bonito! Só sei que na minha casa quero uma dessa!
PS: Pra não Kibar nenhum site, achei as fotos aqui: http://cybervida.com.br/usando-a-escada-para-fazer-uma-estante
PS 2: Isso continua a ser uma escada, mas também uma estante.
Num mundo onde os espaços são cada vez mais valorizados e achar algum espaço em casa é privilégio, a idéia vale a pena e é bem interessante, além de ser esteticamente muito bonito! Só sei que na minha casa quero uma dessa!
PS: Pra não Kibar nenhum site, achei as fotos aqui: http://cybervida.com.br/usando-a-escada-para-fazer-uma-estante
PS 2: Isso continua a ser uma escada, mas também uma estante.
sábado, 2 de abril de 2011
Toda biblioteca deve ter!
Relação de autores que toda biblioteca deve ter como acervo base*:
Perfeito!
*Acervo base é o conjunto de itens que contém os assuntos que a biblioteca busca ter em seu acervo. Numa biblioteca especializada é o currículo mínimo na qual ela é especializada.
Perfeito!
*Acervo base é o conjunto de itens que contém os assuntos que a biblioteca busca ter em seu acervo. Numa biblioteca especializada é o currículo mínimo na qual ela é especializada.
Por que poeira?
Como primeiro post entendo que devo explicar o por que do nome do Blog. Bom, estava pensando esses dias enquanto reorganizava a biblioteca em que trabalho e que está cheia de poeira, quer dizer, barro, já que em BSB não há a tradicional poeira carioca e sim barro vermelho...
Na biblioteca, conforme fui ordenando os itens fui encontrando verdadeiras preciosidades, se não em valor, mas em simbolismo, achei por exemplo uma coleção de 1942 ou 46 (não lembro ao certo) de boa parte da obra de Machado de Assis em 31 volumes, em três desses encontrei o furo de uma broca indo do início ao final de cada volume, graças a Deus procurei o bicho e não achei, mas me dei conta do quão (eu uso quão, não me censurem) é bonito um livro furado por broca de uma ponta a outra... Pode parecer estranho um bibliotecário - agente que cuida para que isso não aconteça - , falar isso, mas eu tenho apego à velharias e valorizo as marcar que elas têm. Como disse na minha Monografia, os restos, os rastros, os vestígios, nada mais são do que pistas do passado de um objeto, no caso o livro. Tem até um livro do Ginzburg que trata disso: Mitos, Emblemas, Sinais.
Sendo assim, por considerar que em meio a poeira que tanto tenho alergia possa encontrar coisas legais e muito interessantes, decidi batizar o Blog com esse nome. Até!
Na biblioteca, conforme fui ordenando os itens fui encontrando verdadeiras preciosidades, se não em valor, mas em simbolismo, achei por exemplo uma coleção de 1942 ou 46 (não lembro ao certo) de boa parte da obra de Machado de Assis em 31 volumes, em três desses encontrei o furo de uma broca indo do início ao final de cada volume, graças a Deus procurei o bicho e não achei, mas me dei conta do quão (eu uso quão, não me censurem) é bonito um livro furado por broca de uma ponta a outra... Pode parecer estranho um bibliotecário - agente que cuida para que isso não aconteça - , falar isso, mas eu tenho apego à velharias e valorizo as marcar que elas têm. Como disse na minha Monografia, os restos, os rastros, os vestígios, nada mais são do que pistas do passado de um objeto, no caso o livro. Tem até um livro do Ginzburg que trata disso: Mitos, Emblemas, Sinais.
Sendo assim, por considerar que em meio a poeira que tanto tenho alergia possa encontrar coisas legais e muito interessantes, decidi batizar o Blog com esse nome. Até!
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